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Deus acima ou Deus Escondido, no meio? - Egydio Schwade

Suponhamos que em definitivo sejamos julgados pela observância da “lei da liberdade” (Tg. 2.12) inscrita em nossos corações e não pelo Direito Canônico ou pelas leis criadas por vereadores, deputados e senadores... De 6 a 9 de junho, realizou-se em Santarém o IV Encontro da Igreja Católica da Amazônia Legal, tendo assistido ao evento pela internet. E me marcou a aula de Eclesiologia, dada por Alessandra, índia Munduruku. Resumindo: Segundo Alessandra Igreja é ser luz dos povos. Precisa encarnar-se na realidade “dos povos indígenas, defendendo os quilombolas, os pescadores, todos que precisam”. “Tem que sentir, a pele, a dor. Sentir o corpo também!” e sem fronteiras políticas e eclesiásticas: ”Eu sou da aldeia da Praia do Índio, mas eu venho acompanhando todo o povo Munduruku do Médio e Alto Tapajós, inclusive na terra do Teles Pires. E como vice-coordenadora da APEPIPA, eu também estou conhecendo outros povos. Os Apyterewa, o povo Parakanã. Fui nos Yanomami, participando. É triste ver ...

Efemérides - A Assembleia do Cururu - 09-14.05.1975 - Egydio Schwade

 Entre 09 e 14 de maio de 1975, se realizou na Aldeia Cururu dos índios Munduruku, no Alto rio Tapajós, a IIª Assembleia Indígena. A Assembleia do Cururu foi uma enorme e alegre confraternização de povos indígenas com representantes do Pará, Amapá, Mato Grosso e Tocantins muito participada pelas mulheres, homens, jovens e crianças, reunindo em torno de 800 indígenas.  A articulação foi feita no Amapá pelo Pe. Nello Rufaldi. No Mato Grosso por Ivar Busatto da OPAN e Pe. Thomaz Lisboa, do Cimi e no Pará e Tocantins, por mim e por Silvia Bonotto, da OPAN. Quando voltei das amarrações feitas no Pará, me dirigi à cidade de Goiás, onde brincando, propus a D. Tomás, a loucura de uma assembleia no Alto Tapajós, Rio Cururu, só acessível via aérea ou por interminável viagem de barco. D. Tomás, que me apelidava de ‘incendiário’, retrucou na hora: “Simbora amanhã para Belém, pedir o apoio do Comandante Camarão” do CMA! E lá fomos nós no dia seguinte, no aviãozinho de D. Tomás, pilotado po...

NOVO ASSALTO ÀS ÁREAS INDÍGENAS DA AMAZÔNIA - I

A guerra Rússia-Ucrânia trouxe consequências para o nosso país. Entre elas a interrupção do fornecimento de fertilizantes, em especial, o potássio de Belarus, aliada dos russos. As empresas de mineração, nacionais e multinacionais e os governantes não se abalam com isto. Ao contrário, estão eufóricos. É a desculpa que precisavam para avançarem, desta vez, sobre o território dos índios Mura e Munduruku de Autazes e Nova Olinda do Norte, depositários deste mineral. Os empresários exploradores do potássio e governo, esperam obter grandes lucros, não importam os prejuízos que causarão a estes povos. Lembremos que há poucos meses iniciou o saque do gás do município de Silves. Comboios de carretas com gás provindo de Silves passam diariamente, aqui, pela BR-174, em frente à minha casa, rumo a Roraima. Fala-se de 20 carretas por dia. Já em sentido contrário, seguem, diariamente, saindo das minas do Pitinga, em nosso município, em torno de 400 caçambas de minérios estratégicos, os mais cobiçad...

NOTA À IMPRENSA - CONFLITO ABACAXIS: UM ANO DE MEMÓRIA, HAVERÁ JUSTIÇA?

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  " Nesta quarta-feira (4), organizações e movimentos sociais divulgaram uma nota à imprensa contra a impunidade do Massacre de Rio Abacaxis, no Amazonas, que vitimou quatro ribeirinhos e dois indígenas Munduruku. Um ano após o massacre, as organizações denunciam a negligência do Estado nas investigações e a falta de proteção às comunidades e cobram uma série de medidas para garantir a elucidação do caso e a segurança de indígenas e ribeirinhos. A nota foi divulgada após o seminário “Um ano do massacre do Abacaxis: Haverá justiça?”, que ocorreu entre os dias 3 e 4 de agosto. No dia 3, foram realizadas duas mesas de diálogo virtuais sobre o tema." - POR ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DO CIMI O massacre do Abacaxis é um exemplo emblemático da violência das forças  policiais do Estado e também da impunidade quando essa violência ocorre contra as  pessoas mais vulneráveis socialmente. Só no Amazonas a chacina do Crespo, a recente  chacina de Tabatinga e o massacre do Rio Abac...

SITUAÇÃO YANOMAMI: AONDE ESTÃO AS FORÇAS ARMADAS?

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Mais uma vez estamos à beira de um genocídio. Ou a humanidade misericordiosa se move e toma uma decisão urgente ou o segmento mais cruel da desumanidade, vai concluir mais esta ação de covardia. Em plena pandemia, o povo Yanomami está sendo atacado por milícias. E os acontecimentos têm vinculação com os donos das milícias que detém hoje o poder no país. Veja o que o Conselho Indigenista Missionário-CIMI, denunciou em 17-06-1999: “O mais recente escândalo deste governo foi a nomeação, para diretor da Polícia Federal, de um delegado acusado de ser torturador no regime militar. A escolha do nome de João Batista Campelo foi do próprio Presidente Fernando Henrique Cardoso. Coincidentemente, Campelo era Secretário de Segurança no Estado de Roraima e vem sendo ferozmente defendido pelos parlamentares que conformam o que há de pior no Congresso Nacional, no que diz respeito aos direitos humanos e aos direitos indígenas.: Elton Rohnelt (PFL-RR), Antônio Feijão (PSDB-SP), Jair Bolsonaro (PPB-R...

A Ditadura não é Coisa do Passado, aponta Comitê da Verdade do Amazonas

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Mesa Redonda "O Golpe de 64 e as ações dos militares na Amazônia" Foto: Maiká Schwade Por J.Rosha (CIMI de Manaus). Costumamos ouvir que o povo brasileiro não tem memória. Pode até ser que algumas situações requeiram esforço considerável para recordar determinados eventos. Outros, porém, pelas profundas marcas que deixam, não são facilmente esquecidos. Há quem tenha tentado fazer esquecer a ditadura militar de 50 anos atrás, mas por causa das muitas sequelas que ela deixou está longe de ser “coisa do passado”. Ela ainda é muito presente por, pelo menos, duas situações: pelo grande número de mortos e desaparecidos, e pela inspiração do modelo desenvolvimentista que faz o governo atual repetir fórmulas autoritárias para tratar como certos segmentos da sociedade, sobretudo com os povos indígenas. A ação do Governo Federal contra o povo indígena Munduruku, da região do Tapajós, no Estado do Pará, é um dos casos mais eloquentes da presença desse ‘espírito’ da ditadu...

CIMI: Nota de Repúdio contra a ação criminosa da Polícia Federal praticada na Aldeia Teles Pires

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O Cimi vem a público manifestar seu veemente repúdio à ação virulenta e assassina praticada pela Polícia Federal, na chamada Operação Eldorado. Usando o pretexto de cumprimento de ordem judicial que determinava a destruição de dragas de garimpos no Rio Teles Pires e de pontos ilegais de mineração, o delegado Antonio Carlos Muriel Sanchez comandou a invasão, no dia 07/11/2012, à Aldeia Indígena Teles Pires, no município de Jacareacanga, estado do Pará. De acordo com depoimentos prestados à 6ª. Câmara do Ministério Público Federal, lá praticaram todo tipo de atrocidades, como espancamentos, assassinato, tentativa de assassinato, destruição de moradias, de escola, posto de saúde, celulares, computadores, aparelho de radiofonia, embarcações de pesca, de transporte e as dragas utilizadas no garimpo. Além disso, os indígenas não estão podendo pescar, pois o rio ficou contaminado pelo combustível que estava nas dragas, destruídas pela Polícia Federal. Os indígenas Munduruku relatara...