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Mostrando postagens com o rótulo Igreja

OS POVOS TEM O DIREITO DE SE DEFENDER DO COLONIALISMO

O colonialismo é essencialmente perverso. E o Estado de Israel é fruto do colonialismo inglês e americano. No ato de sua criação, em 1948, foram expulsos de sua terra imemorial 750.000 palestinos. E mediante a pratica do colonialismo, Israel vem ampliando o seu território. Já são em torno de 500 mil colonos israelenses que se instalaram, à revelia de leis e tratados, em território palestino. Gaza é um “campo de concentração” de refugiados palestinos, resultado do colonialismo de Israel. Foi o que restou ao povo expulso do território hoje ocupado por Israel. Agora já vem falando em expulsar 2.200.000 para o deserto do Sinai. Vi e senti, durante 60 anos de minha vida as consequências do colonialismo português e brasileiro que pesou e pesa genocida sobre os povos originários no Brasil e não me arrependo de ter gasto todos estes anos lutando contra este colonialismo e suas consequências. Ao terminar o curso de Filosofia iniciei uma maratona pelo país, a fim de ver o que acontecia aos povos...

11.05.2014 - TENHARIM: UM POVO CONDENADO AO APARTHEID - Egydio Schwade

 “Humaitá é hoje, em pleno século 21, uma cidade onde os índios não podem pisar, sob pena de serem espancados e mortos. Não apenas por comerciantes e pecuaristas, mas até por moradores que, como eles, vivem na pobreza.” 1 – Alceu Castilho As agressões ao povo Tenharim no seu habitat ao Sul do Amazonas, já vem de longe. E a sua motivação sempre foi de ordem econômica espoliadora. Curt Nimuendaju escrevia em 1922: “Da margem do Madeira foram expulsos, pela invasão dos seringueiros, em todo o trecho entre o Lago do Antônio e Paraizo.”. E em outro trecho: “Uma guerrilha cruel e traiçoeira começou e se arrastou durante longos decênios. Nas represálias dos civilizados, às mais das vezes, estes se comportavam pior que os seus adversários selvagens. Bradou-se por medidas enérgicas; exigiu-se o extermínio da tribo, e os moradores do sertão contribuíram o mais que foi possível para este fim, fazendo fogo sobre qualquer índio, onde quer que ele se apresentasse.  E foi desta forma, por u...

UM MUTIRÃO DE ENTIDADES PRÓ-ÍNDIO - Egydio Schwade

O CIMI define quatro prioridades No início dos anos de 1970, a situação do índio brasileiro, era de total dependência do Estado e de suas decisões. Suas chefias estavam desmoralizadas, suas comunidades humilhadas pela pobreza e sua organização inexistente. O Estado impunha grandes projetos sobre áreas indígenas e justificava sua política nefasta, como benefício aos índios. Assim, por exemplo, em 1972, funcionários da FUNAI na área Waimiri-Atroari, se empenhavam em “convencer o cacique Maruaga, chefe geral das 15 aldeias, de que a estrada BR-174 traria benefícios para o grupo”. (Correio da Manhã - RJ. 1-8-72). E o Pres. da FUNAI, justificava a passagem da rodovia BR-80 pelo Parque Nacional do Xingú mentindo à nação: “a estrada não vai criar problemas para os índios”. E questionado pela opinião pública nacional e internacional sobre essa prática, o Governo afirmava o determinismo de seus projetos: “O Parque Nacional do Xingu não pode impedir o progresso do país”. (Pres. da FUNAI em Vis...

Deus acima ou Deus Escondido, no meio? - Egydio Schwade

Suponhamos que em definitivo sejamos julgados pela observância da “lei da liberdade” (Tg. 2.12) inscrita em nossos corações e não pelo Direito Canônico ou pelas leis criadas por vereadores, deputados e senadores... De 6 a 9 de junho, realizou-se em Santarém o IV Encontro da Igreja Católica da Amazônia Legal, tendo assistido ao evento pela internet. E me marcou a aula de Eclesiologia, dada por Alessandra, índia Munduruku. Resumindo: Segundo Alessandra Igreja é ser luz dos povos. Precisa encarnar-se na realidade “dos povos indígenas, defendendo os quilombolas, os pescadores, todos que precisam”. “Tem que sentir, a pele, a dor. Sentir o corpo também!” e sem fronteiras políticas e eclesiásticas: ”Eu sou da aldeia da Praia do Índio, mas eu venho acompanhando todo o povo Munduruku do Médio e Alto Tapajós, inclusive na terra do Teles Pires. E como vice-coordenadora da APEPIPA, eu também estou conhecendo outros povos. Os Apyterewa, o povo Parakanã. Fui nos Yanomami, participando. É triste ver ...

Reunião no Seminário do Passo Fundo - Egydio Schwade

 Em maio de 1967 Pe. Thomaz Lisboa e eu publicamos 9 artigos sobre a situação dos índios no Rio Grande do Sul. Em consequência, a Assembleia Legislativa criou uma CPI para apurar os fatos. Durante os trabalhos da CPI foi descoberto e denunciado que o arcebispo D. Vicente Scherer de Porto Alegre e o bispo D. Cláudio Colling, de Passo Fundo, haviam recebido cada um 100 pinheiros para construção de seus seminários. Pinheiros, retirados pelo Serviço de Proteção aos Índios-SPI, de áreas indígenas do Rio Grande do Sul. Numa reunião dos Bispos do Sul-III da CNBB, os dois bispos reclamaram do Provincial dos jesuítas, providências para nos reprimir. Foi o que o Provincial fez em carta a nós. Entretanto, pouco depois, D. Ivo Lorscheiter, então secretário do Sul III,  nos solicitou que organizássemos um encontro de Pastoral Indigenista, para padres e freiras de regiões próximas às áreas indígenas do Estado. Apresentei-lhe então a dificuldade de que não éramos as pessoas mais indicadas pa...

Obediência Criativa! - Egydio Schwade

 Nas férias, em dezembro de 1967 voltei, brevemente, à Missão Anchieta com outro colega estudante jesuíta, a convite do vigário de Porto dos Gaúchos, Rio Arinos, para fazer um levantamento do povo da paróquia. Descemos o Arinos, território dos índios Tapaiuna, conhecidos como Beiços-de-pau. A certa altura estes flecharam contra nossa embarcação. E uma flecha caiu ao meu lado. Após o levantamento, no início do mês seguinte, voltando pelo mesmo rio, outro grupo Tapaiuna arredio, se apresentou, pacificamente, na margem do rio. Alguns tripulantes jogavam roupa, enquanto os índios ofereciam cestas e colares e com gestos pediam que o barco encostasse. Mas o dono, receoso, apenas passou rente, evitando encostar. Preocupado pelos índios, temendo que algum irresponsável se aproveitasse dessa situação e fosse contatar o grupo levando-lhes doenças, procurei em Diamantino/MT o Superior Religioso dos jesuítas e tentei convencê-lo a enviar imediatamente algum missionário para que contatasse o gr...

DIFICULDADES ENFRENTADAS PARA A CRIAÇÃO DO CIMI - Egydio Schwade

 Estávamos casualmente juntos, (Thomaz Lisboa, Adalberto Pereira e eu, em Diamantino, Mato Grosso/1971, quando recebemos a carta-convite do Pe. João Mometti, Secretário Nacional de Atividade Missionária-SNAM, da CNBB, para participarmos de mais uma reunião de missionários das prelazias e dioceses, com pastoral indigenista, a se realizar em Brasília, entre 22 e 25 de abril de 1972. P. Mometti acabara de chegar de um curso de Missionologia em Roma e estava totalmente por fora dos dois encontros anteriores de missionários convocados pelo SNAM, - Morumbi e Campo Grande a partir dos quais se se começou a urgir a criação e um instrumento que coordenasse das atividades e que garantisse mais unidade na ação indigenista da Igreja. Naquele momento eu era um dos coordenadores da OPAN que havia criado em fevereiro de 1969. Primeira ONG indigenista. Nos revoltamos contra a agenda prevista para o encontro de Brasília e nos dirigimos a D. Henrique, Bispo de Diamantino, que estava de malas prontas...

PANORAMA MISSIONÁRIO A ÉPOCA DO CONCÍLIO VAT. II. - Egydio Schwade

 O “ Regulamento acerca das Missões de Catequese e Civilização dos índios ”, Decreto Nº 426 – 24-07-1845 foi um caso típico da aceitação por parte da Igreja das regras de jogo impostas pelo Estado aos povos indígenas e de rejeição do projeto autóctone para a organização da sociedade. O título já introduz o conteúdo: “ Catequese e Civilização ”. No conteúdo os missionários admitem “a conservação ou remoção, ou reunião de duas, ou mais nações , em uma só” – de acordo com o arbítrio e o interesse do projeto da sociedade invasora. (Art. 1º, 2º r 7º) Aceitam contribuir para a violência e destruição cultural dos povos indígenas que não se comportam conforme as expectativas do Governo da sociedade nacional. (Art. 1º, S 3º) Aceitam “pregar a Religião de Jesus Cristo e as vantagens da vida social ” –  (Art. 1º, S 7º). O art. 1º & 7º insinua que Evangelizar=civilizar. “Os quais lhes vão pregar a Religião de Jesus Cristo e as vantagens da vida social”. O missionário vai aos índios c...