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Mostrando postagens com o rótulo Indigenismo

UM MUTIRÃO DE ENTIDADES PRÓ-ÍNDIO - Egydio Schwade

O CIMI define quatro prioridades No início dos anos de 1970, a situação do índio brasileiro, era de total dependência do Estado e de suas decisões. Suas chefias estavam desmoralizadas, suas comunidades humilhadas pela pobreza e sua organização inexistente. O Estado impunha grandes projetos sobre áreas indígenas e justificava sua política nefasta, como benefício aos índios. Assim, por exemplo, em 1972, funcionários da FUNAI na área Waimiri-Atroari, se empenhavam em “convencer o cacique Maruaga, chefe geral das 15 aldeias, de que a estrada BR-174 traria benefícios para o grupo”. (Correio da Manhã - RJ. 1-8-72). E o Pres. da FUNAI, justificava a passagem da rodovia BR-80 pelo Parque Nacional do Xingú mentindo à nação: “a estrada não vai criar problemas para os índios”. E questionado pela opinião pública nacional e internacional sobre essa prática, o Governo afirmava o determinismo de seus projetos: “O Parque Nacional do Xingu não pode impedir o progresso do país”. (Pres. da FUNAI em Vis...

Memórias da querida Silvia Bonotto - Egydio Schwade

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Faleceu ontem (17) em Porto Alegre/RS, Sílvia Bonotto Silvia foi a 1ª pessoa que se inscreveu na Operação Anchieta-OPAN, a 1ª ONG indigenista. Criada em fevereiro de 1969, a OPAN, hoje Operação Amazônia Nativa, com sede em Cuiabá/MT.  Silvia atuou durante mais de 30 anos com povos indígenas, optando sempre pelos que muito necessitavam de uma presença solidária. Em seu percurso, foram 4 os principais povos, com os quais conviveu e trabalhou: Kayabi e Apiaká, no Rio Tatuí ou rio dos Peixes/MT, Paresi, no Chapadão dos Parecis e Karajá, na Ilha do Bananal. Além desses atendeu e conviveu também em momentos de emergências com os Tapirapé, com os Irantxe, Nanbikuara, Rikbaktsa, Enauenê Nauê, Myky e Pakaa Novo. “Belas histórias e alegrias com todos estes povos!” Conclui, Silvia em um de seus escritos. Nossa solidariedade e gratidão, a esta preciosa família Bonotto que com Sílvia e Zé, trouxe tanta alegria a tantos povos indígenas e a todos nós que tivemos a honra deste convívio caloroso po...

Efemérides - 1º a 2 de julho de 1983 - Primeira visita a aldeia dos Waimiri-Atroari - Egydio Schwade

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 No dia 18 de março de 1975 o Presidente da FUNAI, General Ismarth de Araújo Oliveira, proibiu o Presidente do CIMI, D. Tomás Balduino e a equipe do Secretariado Executivo do CIMI, de entrar em qualquer área indígena do país. A proibição pesou sobre mim até o fim da Ditadura Militar, em 1985. Entretanto, como se tratava de uma proibição descabida, injusta e sem fundamento legal, nunca a levei a sério. Aproveitando a ausência total do Estado junto às populações indígenas remanescentes, a partir daquele dia andei por todo o país, mais livre, sem necessidade de esperar por autorizações da FUNAI, para visitar as áreas indígenas país afora. Foi, inclusive, o período em que mais áreas indígenas visitei e em todas as regiões do país. foto: Egydio Schwade Efemérides de hoje: Essa foto, registra a nossa primeira visita, com família – ainda em caráter clandestino, - a uma aldeia dos índios Waimiri-Atroari. Foi nos dias 1º a 2 de julho de 1983, com Doroti, grávida de Mayá Regina e Marcos Ajur...

Efemérides - 30.06.1973-1983 - Criação do Secretariado Executivo do CIMI e o lançamento do Movimento de Apoio à Resistência Waimiri-Atroari-MAREWA

Após um ano e meio de sua criação, o CIMI permanecia praticamente inativo, provocando reclamações constantes que caiam sobre o Secretariado da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB. Por isso, a pedido de D. Ivo Lorscheiter, Secretário Executivo desta, reuniu-se, no dia 30 de junho de 1973, em Brasília, o Conselho Indigenista Missionário-CIMI para a criação do seu Secretariado Executivo. A primeira equipe do Secretariado: Egydio Schwade: Secretário. Ivar Busatto e Sílvia Bonotto da OPAN-Operação Anchieta, hoje Operação Amazônia Nativa. Valber Dias Barbosa, Estudante Redentorista, Clara Favílla, jornalista e Pe. Antônio Iasi, sj. Na oportunidade também foi aprovado o Regimento Interno do CIMI. Em 30 de junho de 1983 aconteceu o lançamento oficial do Movimento de Apoio à Resistência Waimiri-Atroari-MAREWA na Assembleia Legislativa do Amazonas, sendo o discursador oficial do evento, o Dep. João Pedro Gonçalves, do Partido Comunista do Brasil-PC do B. Casa da Cultura do Urubuí, 30 ...

DIFICULDADES ENFRENTADAS PARA A CRIAÇÃO DO CIMI - Egydio Schwade

 Estávamos casualmente juntos, (Thomaz Lisboa, Adalberto Pereira e eu, em Diamantino, Mato Grosso/1971, quando recebemos a carta-convite do Pe. João Mometti, Secretário Nacional de Atividade Missionária-SNAM, da CNBB, para participarmos de mais uma reunião de missionários das prelazias e dioceses, com pastoral indigenista, a se realizar em Brasília, entre 22 e 25 de abril de 1972. P. Mometti acabara de chegar de um curso de Missionologia em Roma e estava totalmente por fora dos dois encontros anteriores de missionários convocados pelo SNAM, - Morumbi e Campo Grande a partir dos quais se se começou a urgir a criação e um instrumento que coordenasse das atividades e que garantisse mais unidade na ação indigenista da Igreja. Naquele momento eu era um dos coordenadores da OPAN que havia criado em fevereiro de 1969. Primeira ONG indigenista. Nos revoltamos contra a agenda prevista para o encontro de Brasília e nos dirigimos a D. Henrique, Bispo de Diamantino, que estava de malas prontas...

PANORAMA MISSIONÁRIO A ÉPOCA DO CONCÍLIO VAT. II. - Egydio Schwade

 O “ Regulamento acerca das Missões de Catequese e Civilização dos índios ”, Decreto Nº 426 – 24-07-1845 foi um caso típico da aceitação por parte da Igreja das regras de jogo impostas pelo Estado aos povos indígenas e de rejeição do projeto autóctone para a organização da sociedade. O título já introduz o conteúdo: “ Catequese e Civilização ”. No conteúdo os missionários admitem “a conservação ou remoção, ou reunião de duas, ou mais nações , em uma só” – de acordo com o arbítrio e o interesse do projeto da sociedade invasora. (Art. 1º, 2º r 7º) Aceitam contribuir para a violência e destruição cultural dos povos indígenas que não se comportam conforme as expectativas do Governo da sociedade nacional. (Art. 1º, S 3º) Aceitam “pregar a Religião de Jesus Cristo e as vantagens da vida social ” –  (Art. 1º, S 7º). O art. 1º & 7º insinua que Evangelizar=civilizar. “Os quais lhes vão pregar a Religião de Jesus Cristo e as vantagens da vida social”. O missionário vai aos índios c...

Especial 50 anos do CIMI - LEIGOS NOS TRABALHOS INDIGENISTAS DA IGREJA - Egydio Schwade

O texto abaixo é o que enviei à assembleia dos leigos do CIMI, que se realizou em julho de 1995. Creio que ainda serve neste momento de reflexão nos 50 anos do CIMI, e diante do o incentivo do Papa de buscar a periferia e da sua preocupação com o forte clericalismo na América Latina. que motivou até um documento especial sobre o assunto. Olhando para os 50 anos do CIMI, fica evidente que o impulso inicial desta presença da Igreja nova e esperançosa nas bases indígenas, se deveu principalmente aos leigos. Em 1963, quando cheguei à Missão Anchieta dos jesuítas no Noroeste de Mato Grosso, havia ali dois tipos de leigos trabalhando na Missão. Os irmãos leigos, jesuítas, não padres que executavam trabalhos braçais sob a orientação dos padres jesuítas da Prelazia de Diamantino e leigos, não-religiosos, que executavam igualmente serviços de “tapa buraco”, isto é, trabalhos que os padres tinham dificuldade de fazer ou simplesmente sabiam fazer. Esta situação do leigo na Prelazia era igual ...

Especial 50 anos do CIMI - SÁBADO SANTO EM CACIQUE DOBLE/RS - Um causo da caminhada indigenista

  Foi no fim da tarde do Sábado Santo de 1967. Thomaz Lisboa e eu, seminaristas jesuítas, batemos às portas da casa paroquial dos padres capuchinhos de Cacique Doble/RS. Não havia lugar para nós na casa paroquial. Assim mesmo decidimos permanecer na cidade, para participar das cerimônias do Sábado Santo, embora já nos tivéssemos decidido buscar abrigo na aldeia indígena há uns três quilômetros dali, pois não tínhamos dinheiro para nos abrigar em algum albergue da cidade. Assim, após as cerimônias, seguimos a pé até a aldeia, mesmo desconhecida de para nós, confiantes de que os mais pobres, sempre acham alguma vaguinha em seus ranchos. Chegamos à aldeia após a meia noite, sob um luar pascal. Nos apresentamos ao chefe de posto do Serviço de Proteção ao Índio-SPI, Reinaldo Veloso, que nos acolheu, mas nos disse que tinha apenas uma cama disponível no posto. Na cama, colocou dois travesseiros: um na cabeceira e o outro no pé da cama. Cansados da viagem e das longas caminhadas do dia, p...

Efemérides - 17.12.1985 - CIMI - NACIONAL - IGREJA E O ESTADO

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Essa efemérides apresenta um documento do CIMI de 1985, colocando condições para um diálogo com o Governo. Venho acompanhando a política indigenista brasileira oficial desde 1963. E em vários momentos tenho me aproximado, propondo melhorias e sugerindo, mudanças necessárias.  O SPI foi duramente golpeado por causa dos seus desvios. A criação da FUNAI, em 1967, trouxe grande esperança de melhorias que nunca chegaram. Só quando forçada pelos próprios  índios tomou providências. Com a idade de 58 anos de vivência próxima dessa política oficial, só posso atestar mudanças para  pior na política indigenista oficial. Pouca esperança para uma vocação indigenista se realizar por este caminho  e muito improvável que um povo indígena  alcance melhorias e cumprimento das leis, em diálogo com este órgão do governo! Casa da Cultura do Urubuí, 17 de Dezembro de 2021, Egydio Schwade  

Efemérides - 07.06.1987 - ''Projetos são projéteis contra índios desde Cabral''

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"Os novos rumos da política indigenista trouxeram algumas surpresas. A máscara do Governo caía quando o Conselho de Segurança Nacional passava a vetar a aprovação das áreas localizadas na faixa de fronteira e até em construir um Colônia Agrícula"

PROTEÇÃO À SAÚDE DO ÍNDIO - Publicação Especial de aniversário de 73 anos de Doroti

Doroti Alice Muller Schwade / março de 1986(Na 1ª Conferência Nacional de Saúde Indígena) A história das Américas e o Brasil não é exceção, é uma História de saques de depredação, de “veias abertas”. As vítimas primeiras e maiores: os povos indígenas. E o que tem isto a ver com a saúde dos povos indígenas? Tudo. A saúde deixa de existir quando há desestruturação social, desequilíbrio ecológico, agressão ao “habitat”, tudo isto acrescido à contaminação por vírus, bactérias, fungos e parasitas, os mais diversos, desconhecidos, até então, pelos povos indígenas. Podemos citar como exemplos: as viroses variadas, as pneumonias, a malária, as diarreias, a verminose, a hanseníase, etc. Este quadro é agravado pela falta de conhecimento, por parte das comunidades indígenas dos mecanismos de transmissão, tratamento e cura das supracitadas doenças, pelo fato delas serem desconhecidas desses povos. Por isto, as epidemias foram e são ao longo destes séculos de invasões, uma das mais eficazes formas ...

Denúncia do FOIRN: Garimpo no Cauaburis

  Em primeiro lugar todo o meu apoio e da Casa da Cultura do Urubuí a FOIRN, frente a esta denúncia tão grave. E meus parabéns por manter a sociedade e os órgãos públicos em constante alerta, diante desta permanente ameaça ao patrimônio dos povos indígenas e a um ambiente saudável para todos. Um benefício a toda a humanidade. Considero também  o encaminhamento feito ao Ministério Público Federal, o melhor que podia ser feito. Trata-se de fato de um dos raros órgãos públicos sensíveis e solidários com esta causa indígena e da humanidade. A ação denunciada demonstra mais uma vez a insensibilidade dos empresários de mineração. A falta absoluta de bom senso, de consciência frente ao grito da humanidade contra este tipo de atividade. Os produtos químicos usados para detectar o ouro, são altamente poluentes e catastróficos para a vida animal de nossos rios. E em se tratando de uma atividade em aguas que abastecem dezenas de comunidades, várias cidades, incluindo Manaus a ação é ...

Efemérides - 14.03.1975 - Jornal do Comércio

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Jornal do Comércio - Ismarth vem saber problema do índio

THOMAZ MEU COMPANHEIRO DE CAMINHADA MISSIONÁRIA

Embora substituísse Thomaz Lisboa em 1963 no campo de trabalho, onde passou todo o ano anterior, não pude me encontrar com ele antes de assumir o seu trabalho, na Prelazia de Diamantino, onde como estudantes jesuítas fizemos a nossa primeira experiência indigenista, só vim a conhecê-lo alguns meses depois. Vivemos os dois anos que se seguiram naquela missão, completamente isolados, sem juntos podermos avaliar as nossas experiências. O isolamento era uma das características em que viviam principalmente os estudantes jesuítas naquele tipo de missão, embora a decisão que nos levou ali era geralmente a mesma. Surgirá na vivência da família e no discernimento dos Exercícios Espirituais de Inácio de Loyola, e, naquele momento histórico, foi encorajada pelas orientações do Concílio Vaticano II, que nos dizia que ser preciso mudar a estrutura da Igreja Missionária, para que os povos indígenas pudessem sobreviver e participar com seus valores na construção de um mundo mais humano. Thomaz che...