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WOME VIANA: Por que Kamña matou Kiña? Apiyemiyeke? Por que?

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(Escola Yawará 1986: Wome ao meu lado de cócoras com a filha nos braços.) No dia 19-01-24 recebi a triste noticia da morte de Wome Viana, líder do povo Kiña ou Waimiri-Atroari que viveu o período mais doloroso que este povo passou: o genocídio sofrido durante a construção da BR-174, Manaus-Boa Vista e a ocupação ou colonização de grande parte do seu território que reduziu o seu povo de 3.000 para 332 sobreviventes. Sem saber o por que de toda a violência sofrida, o povo Kiña se pergunta até hoje: Apiyeme? Apiyemiyekî? Por que? Por que Kamña=civilizado matou Kiña=a nossa gente? Pergunta que repetiam de viva voz, por escrito e em seus desenhos, durante o processo de alfabetização que coordenamos na aldeia Yawara, no final da Ditadura Militar. E foi nos desenhos e falas de Wome que este tema mais apareceu. Ainda menino, durante o período de ocupação armada pela FUNAI-Exército, Wome foi desviado do seu povo por funcionários da FUNAI e durante longo período obrigado a conviver no regime des...

11.05.2014 - TENHARIM: UM POVO CONDENADO AO APARTHEID - Egydio Schwade

 “Humaitá é hoje, em pleno século 21, uma cidade onde os índios não podem pisar, sob pena de serem espancados e mortos. Não apenas por comerciantes e pecuaristas, mas até por moradores que, como eles, vivem na pobreza.” 1 – Alceu Castilho As agressões ao povo Tenharim no seu habitat ao Sul do Amazonas, já vem de longe. E a sua motivação sempre foi de ordem econômica espoliadora. Curt Nimuendaju escrevia em 1922: “Da margem do Madeira foram expulsos, pela invasão dos seringueiros, em todo o trecho entre o Lago do Antônio e Paraizo.”. E em outro trecho: “Uma guerrilha cruel e traiçoeira começou e se arrastou durante longos decênios. Nas represálias dos civilizados, às mais das vezes, estes se comportavam pior que os seus adversários selvagens. Bradou-se por medidas enérgicas; exigiu-se o extermínio da tribo, e os moradores do sertão contribuíram o mais que foi possível para este fim, fazendo fogo sobre qualquer índio, onde quer que ele se apresentasse.  E foi desta forma, por u...

Deus acima ou Deus Escondido, no meio? - Egydio Schwade

Suponhamos que em definitivo sejamos julgados pela observância da “lei da liberdade” (Tg. 2.12) inscrita em nossos corações e não pelo Direito Canônico ou pelas leis criadas por vereadores, deputados e senadores... De 6 a 9 de junho, realizou-se em Santarém o IV Encontro da Igreja Católica da Amazônia Legal, tendo assistido ao evento pela internet. E me marcou a aula de Eclesiologia, dada por Alessandra, índia Munduruku. Resumindo: Segundo Alessandra Igreja é ser luz dos povos. Precisa encarnar-se na realidade “dos povos indígenas, defendendo os quilombolas, os pescadores, todos que precisam”. “Tem que sentir, a pele, a dor. Sentir o corpo também!” e sem fronteiras políticas e eclesiásticas: ”Eu sou da aldeia da Praia do Índio, mas eu venho acompanhando todo o povo Munduruku do Médio e Alto Tapajós, inclusive na terra do Teles Pires. E como vice-coordenadora da APEPIPA, eu também estou conhecendo outros povos. Os Apyterewa, o povo Parakanã. Fui nos Yanomami, participando. É triste ver ...

Efemérides - 1º a 2 de julho de 1983 - Primeira visita a aldeia dos Waimiri-Atroari - Egydio Schwade

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 No dia 18 de março de 1975 o Presidente da FUNAI, General Ismarth de Araújo Oliveira, proibiu o Presidente do CIMI, D. Tomás Balduino e a equipe do Secretariado Executivo do CIMI, de entrar em qualquer área indígena do país. A proibição pesou sobre mim até o fim da Ditadura Militar, em 1985. Entretanto, como se tratava de uma proibição descabida, injusta e sem fundamento legal, nunca a levei a sério. Aproveitando a ausência total do Estado junto às populações indígenas remanescentes, a partir daquele dia andei por todo o país, mais livre, sem necessidade de esperar por autorizações da FUNAI, para visitar as áreas indígenas país afora. Foi, inclusive, o período em que mais áreas indígenas visitei e em todas as regiões do país. foto: Egydio Schwade Efemérides de hoje: Essa foto, registra a nossa primeira visita, com família – ainda em caráter clandestino, - a uma aldeia dos índios Waimiri-Atroari. Foi nos dias 1º a 2 de julho de 1983, com Doroti, grávida de Mayá Regina e Marcos Ajur...

Efemérides - 31.05.2004 - Floresta de Alimentos - Egydio e Doroti Schwade

1. Uma Agricultura de Reciprocidade 1.1. Floresta Nativa Na área que administramos aqui em Presidente Figueiredo desenvolvemos em primeiro lugar um trabalho sobre a floresta amazônica com toda a sua biodiversidade. A floresta virgem é o carro chefe de nossa experiência, tanto em termos de produtividade, quanto em termos de sustentabilidade.  Em primeiro lugar investimos nos insetos, principalmente nas abelhas, que exercem um papel fundamental. Trata-se do investimento na copa das árvores, de onde vem os frutos que alimentam os homens e a fauna silvestre. Da floresta vem ainda as sementes que renovam e mantêm a biodiversidade, além do mel, pólen, cera, própolis... tão úteis para manutenção e recuperação da saúde humana. Dela ainda procede a matéria prima para o abrigo de homens e animais. De suas fontes conservadas brota a água pura para pessoas, animais e plantas. Principais alimentos da floresta que administramos:  Mel, própolis, cera, pólen. Castanha da Amazônia, jussara, ba...

ASSEMBLEIAS INDÍGENAS: OS POVOS INDÍGENAS SE AFIRMAM

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 Alguns precedentes Há quem atribui a um grupo de antropólogos reunidos em Barbados a mudança na política indigenista na Igreja Católica, ocorrida a partir do final dos anos 60 no Brasil. Em verdade foi o apelo do Concílio Vaticano II por uma nova consciência frente aos povos que revolucionou o trabalho indigenista da Igreja e motivou as assembleias indígenas. A partir de 1962 chegavam aos educandários católicos os primeiros documentos do Concílio Vaticano II com orientações como esta: “Como Cristo, por sua encarnação se ligou às condições sociais e culturais dos homens com quem conviveu, assim deve a Igreja inserir-se em todas essas sociedades, para que a todas possa oferecer o mistério da salvação e a vida trazida por Deus (...) Reconheçam-se como membros do corpo social em que vivem e tomem parte na vida cultural e social através das várias relações e ocupações da vida humana. Familiarizem-se com suas tradições nacionais e religiosas. Com alegria e respeito descubram as sementes...