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Mostrando postagens com o rótulo Alfabetização Waimiri-Atroari

WOME VIANA: Por que Kamña matou Kiña? Apiyemiyeke? Por que?

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(Escola Yawará 1986: Wome ao meu lado de cócoras com a filha nos braços.) No dia 19-01-24 recebi a triste noticia da morte de Wome Viana, líder do povo Kiña ou Waimiri-Atroari que viveu o período mais doloroso que este povo passou: o genocídio sofrido durante a construção da BR-174, Manaus-Boa Vista e a ocupação ou colonização de grande parte do seu território que reduziu o seu povo de 3.000 para 332 sobreviventes. Sem saber o por que de toda a violência sofrida, o povo Kiña se pergunta até hoje: Apiyeme? Apiyemiyekî? Por que? Por que Kamña=civilizado matou Kiña=a nossa gente? Pergunta que repetiam de viva voz, por escrito e em seus desenhos, durante o processo de alfabetização que coordenamos na aldeia Yawara, no final da Ditadura Militar. E foi nos desenhos e falas de Wome que este tema mais apareceu. Ainda menino, durante o período de ocupação armada pela FUNAI-Exército, Wome foi desviado do seu povo por funcionários da FUNAI e durante longo período obrigado a conviver no regime des...

Efemérides - 21.12.1986 - Retirada compulsória: missionário denuncia política entreguista do Governo Federal

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Como iniciou a alfabetização na língua dos Kinã-Waimiri-atroari

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Companheiras e companheiros, Com esta publicação abaixo retomamos hoje as nossas publicações em nosso blog. Escolhemos vários assuntos e atividades nas quais estivemos e continuamos envolvidos. Iniciamos com o tema da alfabetização que realizamos na aldeia Yawara dos índios Waimiri-Atroari ou Kiña entre 1985 e 1986. Doroti Alice e eu dedicamos a nossa existência à promoção da vida humana, em especial, às populações mais abandonadas e ultimamente também à promoção da fauna e da vida vegetal. Muitas pessoas amigas vem insistindo para que escrevamos essa nossa experiência.  Uma boa parte de nossas vidas, Doroti e eu, não andamos juntos, embora mesmo antes do casamento pensássemos juntos. Diante disso, prefiro usar aqui de forma muito livre a primeira pessoa, mesmo que esta ora se refira a Egydio ora a Doroti. Conforme se referem carinhosamente os professores da Unicamp, Juracilda Veiga e Wilmar D`Angelis na dedicatória do livro “Desafios atuais da Educação Escolar Indíge...

POR QUE O JUCÁ SE TORNOU O SUPERMINISTRO? - 2

A geopolítica estatal dos grandes projetos na região amazônica (mineração, rodovias, agronegócio, hidrelétricas, exploração madeireira) é um campo fértil para a ação de ladrões nacionais e estrangeiros. Daí, talvez, se pode entender por que os dois super-ministros, o do Collor e o do Temer, saíram da Amazônia: o senador Bernardo Cabral do Amazonas e o Romero Jucá de Roraima. Discretamente, durante .a campanha eleitoral de 1989, Cabral conseguiu a aprovação de uma vultosa verba para o asfaltamento da BR-174, Manaus-Boa Vista. Mas a verba não asfaltou um só metro da BR-174. Deve ter “asfaltado” a estrada do Collor ao poder em tempos de PC-Farias. Já o Jucá está envolvido não apenas na corrupção do Petrolão, mas muito mais no saque mineral da Amazônia. Acho que este é o caso mais grave de corrupção da História do Brasil. Lamentavelmente, ainda não apurado pelo Ministério Público Federal.  As terras brasileiras escondem o maior tesouro de minérios estratégicos do mundo. Em art...

POR QUE O JUCÁ SE TORNOU O SUPERMINISTRO? - I

Vou iniciar com uma história bem pessoal. Em 1985, fim da Ditadura Militar, a convite de um amigo, Ezequias Heringer – Xará – participei, junto com a família, de um grupo de Estudos e Trabalho-GET da FUNAI. O GET objetivou uma nova política indigenista oficial para o povo Waimiri-Atroari, após o genocídio sofrido durante a ditadura. A primeira decisão do GET foi iniciar uma experiência de alfabetização daquele povo na sua língua materna. A execução dessa iniciativa coube a nossa família. Adotamos o método Paulo Freire, onde, desde o início os índios tiveram o domínio do processo. A experiência inédita foi elogiada e recomenda pelos especialistas da FUNAI. Mesmo assim, em dezembro de 1987, foi interrompida pelo presidente do órgão, Romero Jucá. Em campanha caluniosa que se seguiu, Jucá acusava-nos de estrangeiros(eu gaúcho e minha esposa catarinense), a serviço de mineradoras da Ásia. (Vejam O Estado de São Paulo 08-15 de agosto de 1987, Campanha contra o CIMI). A campanha do Estadão...