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Mostrando postagens com o rótulo Povos Indígenas

SECRETARIADO DO CIMI: 50 ANOS

  Nos anos 50 e 60 a situação dos povos indígenas brasileiros estava calamitosa. Isto porque a política indigenista dos Governos e das igrejas ainda seguia os passos daquela instalada por Portugal e o Vaticano em 1500. Oficialmente se objetivava a “integração nacional”, o que significava o etnocídio. A prática da Ditadura Militar na construção das rodovias pela Amazônia foi a violência, os massacres, o genocídio. Uma política de desrespeito à vida, aos direitos fundamentais, levando o índio sistematicamente à extinção, como mostra Darcy Ribeiro, em fins dos anos 50, em seu livro, OS ÍNDIOS E A CIVILIZAÇÃO. Os sobreviventes já então eram menos de 100.000. Ilustrativo da política genocida do Governo à época, está expresso no relatório Jader Figueiredo, resultado da CPI do Serviço de Proteção do Indio-SPI, em 1967. Não menos lúgubre era então a pastoral indigenista da Igreja, como mostra relatório do Secretário Nacional da Atividade Missionária da CNBB, Pe. Antônio Iasi, de 1970....

A FLORESTA AMAZÔNICA e a sua Economia Invisível - Egydio Schwade

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Com uma incrível generosidade, silenciosas, escondidas, invisíveis, algumas espécies de arvores da floresta nativa daqui, em volta do rio Urubuí/AM, nos deram no semestre que findou, 3.252,8 kg de mel. Resultado da colheita do trabalho de 45 famílias de abelhas da espécie apis-melífera-africanizadas, localizadas em 6 apiários. Sem referir a cera, o própolis, o pólen que nos deram. E junto aos mesmos apiários cultivamos ainda 15 espécies de meliponíneos, abelhas sem ferrão, em torno de 200 enxames cujo mel ainda não foi colhido, mas que visitaram as mesmas árvores. O trabalho humano envolveu 6 pessoas, entre elas um com 87 anos de idade.  As árvores que ofereceram este abundante e precioso produto, sequer são conhecidas ou identificadas, por algum especialista ou instituto. Ninguém de fato as procurou, para vê-las, conhecê-las, identificá-las e agradecê-las. Vivem na solidão.  As abelhas nos levaram à descobrir a biodiversidade e o valor que existe na floresta nativa, tanto par...

11.05.2014 - TENHARIM: UM POVO CONDENADO AO APARTHEID - Egydio Schwade

 “Humaitá é hoje, em pleno século 21, uma cidade onde os índios não podem pisar, sob pena de serem espancados e mortos. Não apenas por comerciantes e pecuaristas, mas até por moradores que, como eles, vivem na pobreza.” 1 – Alceu Castilho As agressões ao povo Tenharim no seu habitat ao Sul do Amazonas, já vem de longe. E a sua motivação sempre foi de ordem econômica espoliadora. Curt Nimuendaju escrevia em 1922: “Da margem do Madeira foram expulsos, pela invasão dos seringueiros, em todo o trecho entre o Lago do Antônio e Paraizo.”. E em outro trecho: “Uma guerrilha cruel e traiçoeira começou e se arrastou durante longos decênios. Nas represálias dos civilizados, às mais das vezes, estes se comportavam pior que os seus adversários selvagens. Bradou-se por medidas enérgicas; exigiu-se o extermínio da tribo, e os moradores do sertão contribuíram o mais que foi possível para este fim, fazendo fogo sobre qualquer índio, onde quer que ele se apresentasse.  E foi desta forma, por u...

UM MUTIRÃO DE ENTIDADES PRÓ-ÍNDIO - Egydio Schwade

O CIMI define quatro prioridades No início dos anos de 1970, a situação do índio brasileiro, era de total dependência do Estado e de suas decisões. Suas chefias estavam desmoralizadas, suas comunidades humilhadas pela pobreza e sua organização inexistente. O Estado impunha grandes projetos sobre áreas indígenas e justificava sua política nefasta, como benefício aos índios. Assim, por exemplo, em 1972, funcionários da FUNAI na área Waimiri-Atroari, se empenhavam em “convencer o cacique Maruaga, chefe geral das 15 aldeias, de que a estrada BR-174 traria benefícios para o grupo”. (Correio da Manhã - RJ. 1-8-72). E o Pres. da FUNAI, justificava a passagem da rodovia BR-80 pelo Parque Nacional do Xingú mentindo à nação: “a estrada não vai criar problemas para os índios”. E questionado pela opinião pública nacional e internacional sobre essa prática, o Governo afirmava o determinismo de seus projetos: “O Parque Nacional do Xingu não pode impedir o progresso do país”. (Pres. da FUNAI em Vis...

Memórias da querida Silvia Bonotto - Egydio Schwade

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Faleceu ontem (17) em Porto Alegre/RS, Sílvia Bonotto Silvia foi a 1ª pessoa que se inscreveu na Operação Anchieta-OPAN, a 1ª ONG indigenista. Criada em fevereiro de 1969, a OPAN, hoje Operação Amazônia Nativa, com sede em Cuiabá/MT.  Silvia atuou durante mais de 30 anos com povos indígenas, optando sempre pelos que muito necessitavam de uma presença solidária. Em seu percurso, foram 4 os principais povos, com os quais conviveu e trabalhou: Kayabi e Apiaká, no Rio Tatuí ou rio dos Peixes/MT, Paresi, no Chapadão dos Parecis e Karajá, na Ilha do Bananal. Além desses atendeu e conviveu também em momentos de emergências com os Tapirapé, com os Irantxe, Nanbikuara, Rikbaktsa, Enauenê Nauê, Myky e Pakaa Novo. “Belas histórias e alegrias com todos estes povos!” Conclui, Silvia em um de seus escritos. Nossa solidariedade e gratidão, a esta preciosa família Bonotto que com Sílvia e Zé, trouxe tanta alegria a tantos povos indígenas e a todos nós que tivemos a honra deste convívio caloroso po...

Deus acima ou Deus Escondido, no meio? - Egydio Schwade

Suponhamos que em definitivo sejamos julgados pela observância da “lei da liberdade” (Tg. 2.12) inscrita em nossos corações e não pelo Direito Canônico ou pelas leis criadas por vereadores, deputados e senadores... De 6 a 9 de junho, realizou-se em Santarém o IV Encontro da Igreja Católica da Amazônia Legal, tendo assistido ao evento pela internet. E me marcou a aula de Eclesiologia, dada por Alessandra, índia Munduruku. Resumindo: Segundo Alessandra Igreja é ser luz dos povos. Precisa encarnar-se na realidade “dos povos indígenas, defendendo os quilombolas, os pescadores, todos que precisam”. “Tem que sentir, a pele, a dor. Sentir o corpo também!” e sem fronteiras políticas e eclesiásticas: ”Eu sou da aldeia da Praia do Índio, mas eu venho acompanhando todo o povo Munduruku do Médio e Alto Tapajós, inclusive na terra do Teles Pires. E como vice-coordenadora da APEPIPA, eu também estou conhecendo outros povos. Os Apyterewa, o povo Parakanã. Fui nos Yanomami, participando. É triste ver ...

Efemérides - 1º a 2 de julho de 1983 - Primeira visita a aldeia dos Waimiri-Atroari - Egydio Schwade

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 No dia 18 de março de 1975 o Presidente da FUNAI, General Ismarth de Araújo Oliveira, proibiu o Presidente do CIMI, D. Tomás Balduino e a equipe do Secretariado Executivo do CIMI, de entrar em qualquer área indígena do país. A proibição pesou sobre mim até o fim da Ditadura Militar, em 1985. Entretanto, como se tratava de uma proibição descabida, injusta e sem fundamento legal, nunca a levei a sério. Aproveitando a ausência total do Estado junto às populações indígenas remanescentes, a partir daquele dia andei por todo o país, mais livre, sem necessidade de esperar por autorizações da FUNAI, para visitar as áreas indígenas país afora. Foi, inclusive, o período em que mais áreas indígenas visitei e em todas as regiões do país. foto: Egydio Schwade Efemérides de hoje: Essa foto, registra a nossa primeira visita, com família – ainda em caráter clandestino, - a uma aldeia dos índios Waimiri-Atroari. Foi nos dias 1º a 2 de julho de 1983, com Doroti, grávida de Mayá Regina e Marcos Ajur...

Reunião no Seminário do Passo Fundo - Egydio Schwade

 Em maio de 1967 Pe. Thomaz Lisboa e eu publicamos 9 artigos sobre a situação dos índios no Rio Grande do Sul. Em consequência, a Assembleia Legislativa criou uma CPI para apurar os fatos. Durante os trabalhos da CPI foi descoberto e denunciado que o arcebispo D. Vicente Scherer de Porto Alegre e o bispo D. Cláudio Colling, de Passo Fundo, haviam recebido cada um 100 pinheiros para construção de seus seminários. Pinheiros, retirados pelo Serviço de Proteção aos Índios-SPI, de áreas indígenas do Rio Grande do Sul. Numa reunião dos Bispos do Sul-III da CNBB, os dois bispos reclamaram do Provincial dos jesuítas, providências para nos reprimir. Foi o que o Provincial fez em carta a nós. Entretanto, pouco depois, D. Ivo Lorscheiter, então secretário do Sul III,  nos solicitou que organizássemos um encontro de Pastoral Indigenista, para padres e freiras de regiões próximas às áreas indígenas do Estado. Apresentei-lhe então a dificuldade de que não éramos as pessoas mais indicadas pa...

Obediência Criativa! - Egydio Schwade

 Nas férias, em dezembro de 1967 voltei, brevemente, à Missão Anchieta com outro colega estudante jesuíta, a convite do vigário de Porto dos Gaúchos, Rio Arinos, para fazer um levantamento do povo da paróquia. Descemos o Arinos, território dos índios Tapaiuna, conhecidos como Beiços-de-pau. A certa altura estes flecharam contra nossa embarcação. E uma flecha caiu ao meu lado. Após o levantamento, no início do mês seguinte, voltando pelo mesmo rio, outro grupo Tapaiuna arredio, se apresentou, pacificamente, na margem do rio. Alguns tripulantes jogavam roupa, enquanto os índios ofereciam cestas e colares e com gestos pediam que o barco encostasse. Mas o dono, receoso, apenas passou rente, evitando encostar. Preocupado pelos índios, temendo que algum irresponsável se aproveitasse dessa situação e fosse contatar o grupo levando-lhes doenças, procurei em Diamantino/MT o Superior Religioso dos jesuítas e tentei convencê-lo a enviar imediatamente algum missionário para que contatasse o gr...