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PANORAMA MISSIONÁRIO A ÉPOCA DO CONCÍLIO VAT. II. - Egydio Schwade

 O “ Regulamento acerca das Missões de Catequese e Civilização dos índios ”, Decreto Nº 426 – 24-07-1845 foi um caso típico da aceitação por parte da Igreja das regras de jogo impostas pelo Estado aos povos indígenas e de rejeição do projeto autóctone para a organização da sociedade. O título já introduz o conteúdo: “ Catequese e Civilização ”. No conteúdo os missionários admitem “a conservação ou remoção, ou reunião de duas, ou mais nações , em uma só” – de acordo com o arbítrio e o interesse do projeto da sociedade invasora. (Art. 1º, 2º r 7º) Aceitam contribuir para a violência e destruição cultural dos povos indígenas que não se comportam conforme as expectativas do Governo da sociedade nacional. (Art. 1º, S 3º) Aceitam “pregar a Religião de Jesus Cristo e as vantagens da vida social ” –  (Art. 1º, S 7º). O art. 1º & 7º insinua que Evangelizar=civilizar. “Os quais lhes vão pregar a Religião de Jesus Cristo e as vantagens da vida social”. O missionário vai aos índios c...

THOMAZ MEU COMPANHEIRO DE CAMINHADA MISSIONÁRIA

Embora substituísse Thomaz Lisboa em 1963 no campo de trabalho, onde passou todo o ano anterior, não pude me encontrar com ele antes de assumir o seu trabalho, na Prelazia de Diamantino, onde como estudantes jesuítas fizemos a nossa primeira experiência indigenista, só vim a conhecê-lo alguns meses depois. Vivemos os dois anos que se seguiram naquela missão, completamente isolados, sem juntos podermos avaliar as nossas experiências. O isolamento era uma das características em que viviam principalmente os estudantes jesuítas naquele tipo de missão, embora a decisão que nos levou ali era geralmente a mesma. Surgirá na vivência da família e no discernimento dos Exercícios Espirituais de Inácio de Loyola, e, naquele momento histórico, foi encorajada pelas orientações do Concílio Vaticano II, que nos dizia que ser preciso mudar a estrutura da Igreja Missionária, para que os povos indígenas pudessem sobreviver e participar com seus valores na construção de um mundo mais humano. Thomaz che...

Paróquia e Missão: Vinho novo em odre novo?

Durante a minha caminhada de 55 anos de vida missionária, (15 anos como celibatário e 40 com família) que teve seu início na Prelazia de Diamantino/MT, depois como coordenador técnico da OPAN, em seguida como Secretário Executivo do CIMI-Conselho Indigenista Missionário, seguindo na Prelazia de Itacoatiara/AM e agora na Arquidiocese de Manaus, tive oportunidade de conhecer paróquias em todo o país, de Sul a Norte e de Oeste a Leste. E o meu foco sempre foram as populações em situação de missão. Minha caminhada missionária iniciou em meio à agitação do Concilio Vaticano II. Os documentos conciliares: Lumen Gentium-A Luz dos Povos, (com novas orientações para toda a Igreja), Gaudium et Spes-Alegria e Esperança e Ad Gentes-Aos Povos, (dirigidos, especialmente, aos povos esmagados pelo Estado e seus subprodutos, empresas de mineração, agronegócio...) sobre o Ecumenismo e outros, contêm orientações que retomam o conceito original da missão e por isso agitaram corações e mentes nos se...