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Mostrando postagens com o rótulo Jesuítas

Memórias da querida Silvia Bonotto - Egydio Schwade

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Faleceu ontem (17) em Porto Alegre/RS, Sílvia Bonotto Silvia foi a 1ª pessoa que se inscreveu na Operação Anchieta-OPAN, a 1ª ONG indigenista. Criada em fevereiro de 1969, a OPAN, hoje Operação Amazônia Nativa, com sede em Cuiabá/MT.  Silvia atuou durante mais de 30 anos com povos indígenas, optando sempre pelos que muito necessitavam de uma presença solidária. Em seu percurso, foram 4 os principais povos, com os quais conviveu e trabalhou: Kayabi e Apiaká, no Rio Tatuí ou rio dos Peixes/MT, Paresi, no Chapadão dos Parecis e Karajá, na Ilha do Bananal. Além desses atendeu e conviveu também em momentos de emergências com os Tapirapé, com os Irantxe, Nanbikuara, Rikbaktsa, Enauenê Nauê, Myky e Pakaa Novo. “Belas histórias e alegrias com todos estes povos!” Conclui, Silvia em um de seus escritos. Nossa solidariedade e gratidão, a esta preciosa família Bonotto que com Sílvia e Zé, trouxe tanta alegria a tantos povos indígenas e a todos nós que tivemos a honra deste convívio caloroso po...

Reunião no Seminário do Passo Fundo - Egydio Schwade

 Em maio de 1967 Pe. Thomaz Lisboa e eu publicamos 9 artigos sobre a situação dos índios no Rio Grande do Sul. Em consequência, a Assembleia Legislativa criou uma CPI para apurar os fatos. Durante os trabalhos da CPI foi descoberto e denunciado que o arcebispo D. Vicente Scherer de Porto Alegre e o bispo D. Cláudio Colling, de Passo Fundo, haviam recebido cada um 100 pinheiros para construção de seus seminários. Pinheiros, retirados pelo Serviço de Proteção aos Índios-SPI, de áreas indígenas do Rio Grande do Sul. Numa reunião dos Bispos do Sul-III da CNBB, os dois bispos reclamaram do Provincial dos jesuítas, providências para nos reprimir. Foi o que o Provincial fez em carta a nós. Entretanto, pouco depois, D. Ivo Lorscheiter, então secretário do Sul III,  nos solicitou que organizássemos um encontro de Pastoral Indigenista, para padres e freiras de regiões próximas às áreas indígenas do Estado. Apresentei-lhe então a dificuldade de que não éramos as pessoas mais indicadas pa...

DIFICULDADES ENFRENTADAS PARA A CRIAÇÃO DO CIMI - Egydio Schwade

 Estávamos casualmente juntos, (Thomaz Lisboa, Adalberto Pereira e eu, em Diamantino, Mato Grosso/1971, quando recebemos a carta-convite do Pe. João Mometti, Secretário Nacional de Atividade Missionária-SNAM, da CNBB, para participarmos de mais uma reunião de missionários das prelazias e dioceses, com pastoral indigenista, a se realizar em Brasília, entre 22 e 25 de abril de 1972. P. Mometti acabara de chegar de um curso de Missionologia em Roma e estava totalmente por fora dos dois encontros anteriores de missionários convocados pelo SNAM, - Morumbi e Campo Grande a partir dos quais se se começou a urgir a criação e um instrumento que coordenasse das atividades e que garantisse mais unidade na ação indigenista da Igreja. Naquele momento eu era um dos coordenadores da OPAN que havia criado em fevereiro de 1969. Primeira ONG indigenista. Nos revoltamos contra a agenda prevista para o encontro de Brasília e nos dirigimos a D. Henrique, Bispo de Diamantino, que estava de malas prontas...

THOMAZ MEU COMPANHEIRO DE CAMINHADA MISSIONÁRIA

Embora substituísse Thomaz Lisboa em 1963 no campo de trabalho, onde passou todo o ano anterior, não pude me encontrar com ele antes de assumir o seu trabalho, na Prelazia de Diamantino, onde como estudantes jesuítas fizemos a nossa primeira experiência indigenista, só vim a conhecê-lo alguns meses depois. Vivemos os dois anos que se seguiram naquela missão, completamente isolados, sem juntos podermos avaliar as nossas experiências. O isolamento era uma das características em que viviam principalmente os estudantes jesuítas naquele tipo de missão, embora a decisão que nos levou ali era geralmente a mesma. Surgirá na vivência da família e no discernimento dos Exercícios Espirituais de Inácio de Loyola, e, naquele momento histórico, foi encorajada pelas orientações do Concílio Vaticano II, que nos dizia que ser preciso mudar a estrutura da Igreja Missionária, para que os povos indígenas pudessem sobreviver e participar com seus valores na construção de um mundo mais humano. Thomaz che...

O Legado de Pe. Iasi e a Crítica à Política Indigenista Brasileira.

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Entrevista especial com Egydio Schwade Por Patricia Fachin (IHU) Originalmente publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos , em 31 de março de 2015. “Quando trabalhamos no Secretariado do CIMI, sempre lutamos para que a questão indígena não mais permanecesse ligada a um Ministério do governo, mas passasse a ser responsabilidade direta da Presidência da República. Ora, a PEC 215 quer transferir a responsabilidade ao Congresso Nacional, onde sempre vencem as forças anti-indígenas”, critica o colaborador do CIMI. “O importante legado que Pe. Antonio Iasi nos deixa é a sua fé em acreditar na força escondida nos fracos e, em especial, na força transformadora que os povos esmagados encerram. Daí também o seu esforço no sentido de garantir um chão seguro para os povos indígenas”, comenta Egydio Schwade, que se tornou amigo de Iasi no início dos anos 1960, quando ambos participaram da missão jesuítica de Utiariti, no Mato Grosso.  Pe. Antônio Iasi Na entrevista a s...

Nenhum Estado Suporta a Autonomia

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Com o titulo “Pequenas e Médias Cidades na Amazônia”, Fase e Universidade Federal do Pará publicaram, recentemente, um livro que aborda a urbanização da Amazônia. O primeiro capítulo, da geógrafa Elis Miranda, trata do projeto de Pombal, pai da urbanização na Amazônia, em confronto com os aldeamentos dos jesuítas do século XVIII. Atrevo-me a abrir o leque de opiniões, análises e interpretações correntes da história amazônica. Os missionários jesuítas do período colonial, (distingo aqui os missionários jesuítas dos professores jesuítas de colégios e de universidades, porque enquanto estes eram funcionários de instituições, aqueles procuravam realizar uma vocação ou missão junto a um povo), portugueses ou não, todos vieram para o Brasil em naus dos governos colonialistas. Isto lhes tirava a autonomia e a liberdade no trabalho com os povos indígenas, esses povos autônomos das Américas. Entretanto, a Ordem Jesuítica convoca periodicamente Congregações Gerais para avaliar os impasses que...