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Rezar por quem?

Dia 13 de março de 2016, domingo, no final da missa, o padre pediu orações pelo sucesso dos manifestantes daquele domingo, segundo ele, “foram às ruas para combater a corrupção”. Infelizmente não foi a corrupção que moveu esses manifestantes, mas um golpe para afastar do cenário nacional o Partido dos Trabalhadores, o único que até hoje combateu efetivamente a corrupção em nosso país. Para provar que a corrupção era galopante antes dos dois governos do PT, não precisa ir longe. É só adentrar a História e a pré-história do nosso município nesta BR-174. A construção da BR-174, durante o governo da ditadura militar, originou o município de Presidente Figueiredo e também a paróquia dos Santos Mártires e Nossa Senhora Aparecida, assim denominada pelo bispo D. Jorge Marskell, em memória ao genocídio dos índios Waimiri-Atroari, cometido pelo governo durante a construção da rodovia. Nem haviam matado todos os índios, quando o mesmo governo ditatorial entregou grande parte do territóri...

Relatório alerta para as consequências da extinção de polinizadores

Um número crescente de espécies de animais polinizadores está ameaçado de extinção em todo o mundo em decorrência de fatores como mudança no uso da terra, uso indiscriminado de pesticidas e  alterações climáticas. A reportagem é de Karina Toledo, publicada por Agência FAPESP, 01-03-2016. Caso não sejam adotadas medidas para reverter o quadro, as consequências para a economia global, a produção de alimentos, o equilíbrio dos ecossistemas e a saúde e o bem-estar humanos poderão ser desastrosas. O alerta foi feito por especialistas da Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos(IPBES) no relatório “Polinização, polinizadores e produção de alimentos”, divulgado hoje durante a 4ª Sessão Plenária da IPBES, em Kuala Lumpur, na Malásia. O processo de elaboração do documento foi coordenado ao longo dos últimos dois anos pelo britânico Simon G. Potts, professor da Universidade de Readings, no Reino Unido, e pela brasileira Vera Lucia Imperatriz Fo...

Quando a cidade é o campo

José Aldemir de Oliveira Professor da Universidade Federal do Amazonas É difícil não ser contaminado, nestes tempos sombrios, pelas ações, ou tentativas  delas, do desgoverno federal que se implantou com o golpe. É a escolha do ministro do STF, embora neste caso o escolhido esteja à altura (bem pequeno) tanto de quem escolhe como a que se destina. É a reforma do ensino médio recém sancionada que reserva papel secundário a várias áreas do conhecimento, em especial à Geografia, um saber fundamental para a compreensão dos problemas contemporâneos. É a tentativa de blindar ministros e políticos, e a mais recente, a reação do coronel freire inquilino do ministério da cultura, ao discurso do escritor Raduan Nassar. Muitas vozes não calaram e outras estão se levantando por ainda acreditarem que uma sociedade organizada é o primeiro passo na garantia da democracia e que esta não pode se resumir aos primados das maiorias eventuais, especialmente quando são construídas a partir de...

MEIO AMBIENTE E GRILAGEM DE TERRAS NA AMAZONIA

É preciso que a gente conte e reconte os fatos que levam à corrupção e à violência na Amazônia, talvez um dia se afaste o poder que os cria e mantém. Em 1967 a Ditadura Militar criou a Lei dos Incentivos Fiscais. Uma de suas consequências foi a organização de gruposespecializados em grilagem de terras da Região Amazônica. Sobrevoavam vastas regiões, geralmente terras indígenas e as “demarcavam” em lotes de 3.000 há. Era o máximo que uma firma ou indivíduo podia se reservar, por lei, para aplicar os impostos que devia ao povo brasileiro. Foi assim que surgiu a chamada “grilagem paulista”, porque em boa parte os beneficiários eram industriais ou comerciantes sulistas, em sua maioria, paulistas, interessados em sonegar os impostos. De fato, mais de 90% sequer chegou a visitar o seu lote. Só neste Município de Presidente Figueiredo, onde resido, o Governo do Estado registrou em 1971, 266 lotes de 3.000 ha. cada, para “paulistas”. Sobre um destes lotes formou-se, em 1999 uma comu...

O Golpe Militar na Amazônia

Para o historiador, professor e escritor José Ribamar Bessa Freire, o missionário Egydio Schwade e Doroti, a companheira dele que morreu em 2010, e com quem teve cinco filhos, são os “semeadores de alternativa para a soberania dos povos da Amazônia”. Quando se busca a história de Egydio os recortes traduzem exatamente a figura do semeador e de um homem tenaz. Aos 77 anos, recebeu, no ano passado, a tarefa de coordenar no Amazonas, o Comitê Estadual do Direito à Verdade, Memória e Justiça e, nesse espaço, procurou chamar a atenção local, nacional e internacional a uma questão esquecida: que Justiça será feita sobre os indígenas desaparecidos ou mortos durante a ditadura militar no Brasil. Fundador do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Egydio elaborou, em parceria com o padre Antonio Iasi Jr., da ordem Jesuíta, as primeiras ações do Cimi, no ano de 1972, e foi o primeiro secretário-executivo da organização e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT). Filosofo e teólog...

A MIL MADEIREIRAS E AS COMUNIDADES DA BR-174

     No dia 04 de dezembro de 2016, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) organizou uma reunião para discutir o problema da terra na Comunidade Boa Esperança (km 120 da BR-174), para a qual fui convidado, em razão das minhas pesquisas sobre o tema. Uma surpresa foi a presença da empresa Mil Madeireiras naquela reunião. Mais surpreendente, ainda, foi a proposta levada pela empresa à comunidade. A Mil Madeireiras lançou a proposta de que os agricultores comprem dela as posses que eles já ocupam de forma pacífica e produtiva há mais de três décadas. A empresa se diz proprietária de uma grande porção de terras que abrange parte das comunidades Boa Esperança, Jardim Floresta, Nova Floresta, Castanhal, Nova União e Canastra. Mas qual a legitimidade que a empresa tem para requerer essas terras? Que propriedade é essa que não está sujeita às leis e regras da federação? A Mil Madeireiras, empresa suíça, anos atrás, adquiriu aproximadamente 22 títulos de propriedade de 3 mil he...

MINERAÇÃO CRIMINOSA

O jornal A Crítica de Manaus do dia 18 de novembro de 2015 alertou: “DEZ BARRAGENS DE MINERAÇÃO  INSEGURAS SE LOCALIZAM NO AMAZONAS.” Trata-se de 10 barragens de contenção da Mineradora MENSUR, ou Mineração Taboca (peruana) no município de Presidente Figueiredo, na Reserva dos índios Waimiri-Atroari. Em 1985, como membro da OPAN-CIMI, integrante de um grupo de Trabalho da FUNAI, fui testemunha da poluição que a mineradora jogava no Igarapé Tiaraju, afluente do rio Alalaú, veia aorta da Reserva Waimiri-Atroari e através dela no Rio Negro. Nos anos seguintes de 1987, 1989, 1990, 91 e 92 as coisas ainda pioraram muito com o rompimento sucessivo de barragens de contensão. No dia 29 de abril de 1993, segundo denunciou o CIMI ao jornal A Crítica 20-05-93, rompeu uma “barragem de rejeitos de lavagem de cassiterita, atingindo o igarapé (Tiaraju), prejudicando 150 índios e outros 450 que vivem na região. O rompimento da barragem de contenção de minérios na Mina do Pitinga é grave e deve...