2000 Waimiri-Atroari Desaparecidos Durante a Ditadura Militar

Que vivam os Povos Indígenas! Que vivam Bem!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Casa da Cultura do Urubuí

Entre as décadas de 1970 e 90, o casal Egydio Schwade e Doroti Alice Müller Schwade (ele Gaúcho e ela Catarinense), se fixou nessa região entre o Sul de Roraima e Norte do Amazonas para apoiar o povo Waimiri-Atroari. Acabaram vivendo intensamente o drama que passavam as populações indígenas e camponeses da região. Atuaram no Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e Operação Amazônia Nativa (OPAN), no MAREWA (Movimento de Apoio à Resistência Waimiri-Atroari), no Sindicato dos Trabalhadores Rurais e no Partido dos Trabalhadores (PT).

Ao longo dessa caminhada foram guardando muitos dados que atualmente compõe um arquivo que é o mais completo sobre a região. São documentos raros sobre a construção da BR-174, da Hidrelétrica de Balbina, a instalação da Mineradora de Pitinga, dos latifúndios grilados e história do povo Waimiri-Atroari.

“Desde a criação do município sentimos o empenho das autoridades no sentido de evitarem a história da região: nenhum documento, nenhuma sala destinada à guarda da memória. Nas escolas ninguém ensinava a história da BR-174 e nem dos Kiña (Waimiri-Atroari). Diante disso tomamos a iniciativa de criar o Arquivo de Etno-história da região” {Egydio Schwade}.

Egydio e Doroti tentaram sempre manter vivas as memórias dessa região. Consequentemente os arquivos já foram utilizados por dezenas de pesquisadores de universidades, institutos de pesquisas e estudantes com e sem vínculos institucionais, e serviram de suporte para teses, dissertações e livros. Esses documentos foram provisoriamente arquivados em uma casa de madeira. Preocupados com o destinos desses documentos, alguns amigos propuseram a construção de estrutura mais adequada. Então, por meio de doações de amigos da família foi erguida, em 1992, a Casa da Cultura do Urubuí, no município de Presidente Figueiredo - AM. O nome foi inspirado no igarapé que margeia a cidade. É uma casa de alvenaria com dois andares e arquitetura regionalizada. A cobertura é de cavaco de massaranduba apoiada em esteios de quari-quari.

Além do acervo documental, ela também abriga uma pequena biblioteca. No início, está foi a única biblioteca existente no município, acessada gratuitamente por estudantes das escolas municipais e estadual, pois dispunha principalmente de um bom acervo de livros didáticos. Atualmente as escolas e a própria prefeitura dispõem de bibliotecas com esta finalidade. Isso reduziu a procura por livros didáticos mudando também o foco dos livros disponibilizados na Casa.

Desde o seu inicio a Casa da Cultura do Urubuí tem procurado servir de modo especial à causa dos oprimidos, principalmente aos povos indígenas e aos pequenos agricultores. Alguns dos serviços oferecidos são:

1.Consulta ao arquivo de etno-história da região.

2.Pequena biblioteca que mantém livros sobre assuntos como: as questões indígenas; grandes projetos rodoviários, de exploração mineral e energético e seus impactos; saúde; agroecologia e sustentabilidade; criação de abelhas; movimentos sociais;

3.Cursos, estágios e visitas técnicas em agroecologia, criação de abelhas e sustentabilidade na Amazônia.

Casa da Cultura do Urubuí, 15 de fevereiro de 2011.

3 comentários:

  1. Querido Maiká, me orgulho muito de vc, sua esposa Michéli, seus irmãos, irmã, cunhado, cunhada e duas lindas sobrinhas fazerem parte da minha família. São pessoas muito admiráveis que souberam seguir os passos de seu amado pai, Egydio e sua doce e brava mãe, minha irmãzinha Doroti.
    Continuem assim e eu estarei sempre atrás de seus escritos sobre essas vidas preciosas.
    Beijos/Lu

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  2. Lembro-me bem de quando começaram a bombardear as aldeias ...
    Foi no dia em que encontraram os corpos de todos os membros da comitiva do padre Caleri...
    Novembro de 1968, a força aérea suspendeu todos os voos na região...
    E bombardearam e metralharam as aldeias, em represália ...
    Da comitiva so padre só escapou um, que servia de guia , um mineiro...
    Que abandonou a comitiva, por ter estranhado o comportamento dos ídios, ele já havia garimpado diamantes na área e conhecia os Atroaris Uamiri..
    Os outros foram encontrados amarrados a troncos e mortos a borduna...
    A FAB então começou a bomabardear as aldeias em represália, e com a omissão do SPI , que funcionava na época...
    Lembrei-me da história toda ao receber um e-mail de uma amigo, na época eu morava em São Gabriel da Cachoeira...
    Realmente o estopim foi esse, daí pra frente não pararam mais as atrocidades...
    Apoio que se mostre a verdade ,eu creio que foi na casa dos 2000 ídios que eles dizimaram...
    Parabéns pela bandeira que levantaram, fico feliz !
    Saudações !
    Victor

    PS : Quem deve ter farto material a respeito , são os safados que viviam na região fasendo pesquisas , e se intitulavam LINGUISTAS, na maioria Norte Americanos, e muitos agentes da CIA como depois ficou comprovado...(INstitutos de Linguistica )

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  3. Olá!
    Meu nome é Bernardo Camara, trabalho com jornalismo ambiental e me interesso muito pela questão indígena da região.

    Já entrei em contato com o Egydio alguns anos atrás para uma mat
    eria que escrevia sobre os recentes ataques aos direitos indígenas, e fiquei sabendo da Casa de Cultura Urubuí.

    Estou indo a Manaus entre 13 e 23 do próximo mês (julho) e gostaria de saber se a Casa de Cultura é aberta a visitação publica. Tenho interesse em conhecer o local e saber um pouco mais sobre a forma de atuacao da Casa. Vcs saberiam me dizer se é possível fazer esta visita?

    Muito obrigado!


    Estou indo a Manaus entre 13 e

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