2000 Waimiri-Atroari Desaparecidos Durante a Ditadura Militar

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terça-feira, 26 de junho de 2012

Cessão de Tempo de autoria de José Ricardo Destaca Atuação do Comitê da Verdade no Amazonas

[Originalmente publicado por: Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas]


Os crimes praticados pela ditadura militar contra cidadãos amazonenses e a inclusão dos índios Waimiri-Atroarí foram discutidos na manhã desta terça-feira (26) na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM) em Cessão de Tempo, por iniciativa do deputado estadual José Ricardo Wendling (PT).

Segundo o parlamentar, o comitê, de caráter oficial, tem a missão de levantar os crimes, fatos, perseguições, desaparecimento e torturas praticadas na época da ditadura. “Não é fazer perseguição”, como assegura José Ricardo, “mas trazer a verdade à tona”.

Este ano o movimento está organizado e se reúne provisoriamente na sede do Sindicato dos Jornalistas do Amazonas, praça Santos Dumont, 15, Centro. “É uma oportunidade para que a Casa Legislativa discuta e tome conhecimento do trabalho que se inicia e da doação dessas pessoas que querem colaborar”, argumentou.

Na ocasião, o coordenador do Comitê Estadual da Verdade, Justiça e Cidadania, o missionário Egydio Schwarzer destacou que quando a presidente Dilma Rousseff criou o comitê nacional, ficou preocupado com a questão até então não levantada: a dos índios Waimiri-Atroari.

Segundo ele, em seu trabalho de alfabetização na tribo, descobriu 32 pessoas remanescentes das cinco aldeias da margem direita do Alalau. Nos seus escritos, de acordo com Egydio, os índios questionavam: “por que o civilizado matou a nossa gente?”. “Essa é uma obrigação da sociedade amazonense, dos políticos e autoridades”, disse o coordenador, assegurando que os índios perderam pais, avós e filhos de forma brutal, na época da ditadura, no final dos anos 60, com o início da abertura da estrada Manaus-Boa Vista (BR-174) pelo Exército Brasileiro. “A expedição do padre e antropólogo Giovane Calleri, em 1968, foi alterada pelos militares sem explicação”, explicou ele. Segundo ele, a construção da estrada tinha interesses intermediários, como as minas de Pitinga e a fonte de energia do município de Presidente Figueiredo.

Membro do comitê local e presidente do PCB, Luiz Navarro, disse que é necessário que se resgate a memória, sendo imprescindível que a Justiça seja feita àquelas pessoas que foram molestadas pela ditadura militar, e que até hoje não têm notícia de seus familiares, porque simplesmente desapareceram. “É por isso que a sociedade está se organizando”, disse.

Oswaldo Coelho, também membro do Comitê da Verdade no Estado do Amazonas e representante do Movimento Educar para a Cidadania, garantiu que o trabalho de investigação está sendo iniciado.

O trabalho, segundo ele, não se restringe ao período da ditadura, mas se estende até 1946. “Queremos restabelecer a verdade no Amazonas. A ditadura fez várias vítimas no Estado”, disse ele, lembrando que o próprio governador da época, Plínio Ramos Coelho, preso quando observava o festival junino na praça General Osório, diante da população que participava dos festejos; do padre Ruas, então professor da faculdade de Filosofia; e do atual prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, líder estudantil de esquerda, naquela época; do trabalhador portuário Antogildo Pascoal Viana, preso no Rio de Janeiro, e que teria pulado do 6º andar do prédio onde estava preso.

Recuperação da história

O coordenador dos Direitos Humanos da Arquidiocese de Manaus, padre Guilhermo, destacou ser importante a recuperação da história do Brasil e o resgate da sociedade brasileira no que diz respeito aos direitos humanos. Segundo ele, a decisão faz parte do Plano Nacional dos Direitos Humanos para reconduzir as instituições. “Temos que mudar o pensamento das Forças Armadas e dos militares, de que o inimigo está na sociedade”, disse ele, pedindo a construção de uma sociedade transparente e cidadã.

Para o professor e escritor Ribamar Mitouso, quando a presidente Dilma Rousseff (PT) criou o comitê, instituiu também uma rede de observatório dos Direitos Humanos, com o objetivo de pesquisar tudo o que houve de 1946 a 1988 nas universidades brasileiras e resgatar o papel de todos os que não perderam a capacidade de se indignar e restaurar a verdade objetiva. “O importante nesses observatórios é que possamos ter acesso aos documentos de tortura”, disse ele.

O professor destacou a fala da presidente, na segunda-feira (25), ao dizer que não é para perder tempo com ressentimento, vingança e com os torturadores, mas acabar com a tortura sobre os sem-terra, os indígenas, os aparelhos repressivos, os trabalhadores e militantes sociais.

Também se pronunciaram Jerson Medeiros, representante do PSOL, que lembrou da luta do parintinense Thomazinho Meirelles, desaparecido e assassinado pela ditadura militar; Armando Clovis, membro do PT; Ademir Pinto, do PCdoB; e o deputado estadual Luiz Castro (PPS).

Luiz Castro manifestou solidariedade ao movimento e destacou o fato dos indígenas, de forma inédita, estarem sendo colocados nesse processo. Segundo vários erros foram praticados que contribuíram para o massacre dos Waimiri-Atroari. “É preciso resgatar e compreender esse fato. Se não conhecêssemos os massacres, as atrocidades do Hitler (ditador Adolfo Ritler, teríamos nazismo forte no mundo inteiro”, garantiu. 

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