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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Seu Dedé


José Sotero de Lima, o seu Dedé, foi uma das primeiras pessoas que se estabeleceu com sua família próximo ao Rio Urubuí depois da construção da BR – 174, onde passado algum tempo de sua chegada foi criado o município de Presidente Figueiredo. Ele se tornou uma referência importante para os que aqui foram se fixando nos anos seguintes. Neste momento em que Dedé deixa este mundo quero compartilhar algumas lembranças que trago desde a infância.

Nos inícios dos anos 1980 começou a surgir um embrião de povoado onde hoje está localizada a cidade de presidente Figueiredo. Para quem chegava aqui e se deparava com esse pequenino embrião de povoamento logo ouvia falar do Seu Dedé. Se no primeiro dia não ouvisse, certamente na manhã seguinte ouviria, assim que chegasse à mesa o pão do seu Dedé, da padaria Baliza. Naquela época a vida podia parecer dura, e era. Mas os poucos morador iam encontrando formas de fazer as coisas ficarem no mínimo mais engraçadas; iam criando motivos para rir. O nome da padaria é um destes exemplos. Desde o início ele não deve ter sido ocasional. Para quem fala rápido ele forma um trocadilho de humor erótico. E a turma se divertia oferecendo o pão-baliza para o chegante. Assim seu Dedé era, mesmo que sem tomar parte pessoalmente, parte da apresentação ao forasteiro daquele mundo de durezas, mas de pessoas que procuravam ser alegres. Aquele que chega tinha que encarar o pão-baliza!

A criançada que andava descalça correndo na poeira da estrada ia em manada até o sitio do se Dedé colhendo maracujá-do-mato e buchuchu na beira da estrada. E quando se ouvia um carro, que não era algo muito freqüente, a referência era seu Dedé: “Será que já chegou no seu Dedé?” E nas noites, no clarear do céu pelos faróis quando o carro subia as ladeiras: “Agora está na ladeira do seu Dedé!”

Grande parte da vila era parente ou aderente à família de seu Dedé. Entre a criançada, metade falava seu Dedé, metade vô Dedé.

E logo vinha o tucumã do seu Dedé. Na época do tucumã todos os dias comíamos o tucumã do seu Dedé. Quando iniciamos a criação de abelhas, foi na fazendinha do seu Dedé que recolhemos o primeiro enxame.

Certamente seu Dedé está e sempre estará vivo na memória de todos aqueles que iniciaram a construção desta cidade. Descanse em paz seu Dedé, que sua memória estará viva!!!


Maurício Adu Schwade
Casa da Cultura do Urubuí, 01 de setembro de 2011

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