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terça-feira, 27 de setembro de 2011

POR QUE UMA POLÍTICA DE AUTOSUSTENTAÇÃO?

Obs.: Este texto foi sugerido ao Conselho Indigenista Missionário - CIMI - em 1996 como orientação para sua política de Autosustentação das comunidades indígenas.


A importância de se desenvolver uma política de autosustentação no momento que vivem os povos indígenas brasileiros e do CIMI, emana de variadas situações, preocupações e aspirações local, regional, nacional e até universalmente sentidas, tais como: 

1. Da preocupação pela sobrevivência dos povos indígenas ameaçadas principalmente, pelas diversas formas de depredação dos recursos alimentícios em muitos dos seus territórios. 

2. Das preocupações em torno do meio ambiente: preservação e reconstituição da variedade e da abundância. 

3. Da necessidade de animar e reanimar os povos indígenas na sua política tradicional de produzir com abundancia, variedade e voltados para culturas locais, visando a melhoria da qualidade dos alimentos para a saúde, alegria e autonomia das comunidades. 

4. Da auto-sustentação dos povos indígenas como único caminho para a preservação de sua cultura. 

5. Da busca de autonomia sempre maior das comunidades frente ao Estado, procurando sustento, segurança e abrigo na terra. 

6. Da superação da ânsia de algumas organizações e lideranças indígenas mais preocupadas em salvar financiamentos e aparentar produção, do que em animar o modelo indígena, do amor à terra, à variedade da alimentação em vista de mais saúde, festa e alegria comunitárias. 

7. Duma política correta da Articulação Nacional de Auto-sustentação – ANAS, capaz de animar a criatividade para a defesa da terra indígena, oferecendo uma variedade sempre maior de instrumentos de ocupação e presença na terra. 

8. Dum meio de recuperar e modernizar a histórica experiência de vida dos povos indígenas, no que tange principalmente a uma alternativa para os falidos sistemas de vida oferecidos pelo Estado Ocidental. 

9. Da existência de variadas preocupações, experiências vividas e já em andamento em diversas partes do mundo que vêem na auto-sustentação e na volta à terra o meio mais eficaz para vencer as tradicionais amarras do Estado (bancos, dinheiro, legislação escrita, burocracia, milícias...). A ANAS pode se relaciona com tais experiências e levá-las ao conhecimento dos companheiros do CIMI e dos povos indígenas. 

10. Da própria crise financeira do CIMI que pode ter, a partir da ANAS, uma nova discussão e consequentemente novas perspectivas de tratamento. Algumas discussões que irão surgir: 

- Emprego ou militância em vista de mudanças de mentalidade? 

- Volta à terra ou continuar a desenvolver o processo de burocratização ? 

- Aldeia ou metrópole? 

- Agricultura ou emprego? 

- O que fortalece mais os povos indígenas? 

11. Da ANAS como ambiente apropriado para a discussão correta da questão das patentes, propriedade intelectual, etc.. 

12. Duma forma de barrar a política da FUNAI que em diversas regiões do país vem estimulando a depredação dos recursos naturais das áreas indígenas. 

13. Do estabelecimento de novas perspectivas de diálogo e aproximação com as forças mais sadias do movimento popular rural, tais como o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, que também estão na busca de uma política de resistência contra a ocupação capitalista da terra ou da produção em vista do mercado. 

14. Da alternativa para a terceirização da economia que se contrapõe à visão do mundo por parte dos índios. 

15. Da recuperação e da animação das experiências acumuladas pelas equipes locais ou de base. 

16. Da exigência de se formular um desenvolvimento a favor da vida. 

17. Da aspiração generalizada pela superação da monocultura, depredadora do meio ambiente e instrumento de depauperamento do solo e de dominação das elites. 


Egydio Schwade 
Casa da Cultura do Urubuí. 1996 


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