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quarta-feira, 25 de maio de 2016

POR QUE O JUCÁ SE TORNOU O SUPERMINISTRO? - 2



A geopolítica estatal dos grandes projetos na região amazônica (mineração, rodovias, agronegócio, hidrelétricas, exploração madeireira) é um campo fértil para a ação de ladrões nacionais e estrangeiros.
Daí, talvez, se pode entender por que os dois super-ministros, o do Collor e o do Temer, saíram da Amazônia: o senador Bernardo Cabral do Amazonas e o Romero Jucá de Roraima. Discretamente, durante .a campanha eleitoral de 1989, Cabral conseguiu a aprovação de uma vultosa verba para o asfaltamento da BR-174, Manaus-Boa Vista. Mas a verba não asfaltou um só metro da BR-174. Deve ter “asfaltado” a estrada do Collor ao poder em tempos de PC-Farias. Já o Jucá está envolvido não apenas na corrupção do Petrolão, mas muito mais no saque mineral da Amazônia. Acho que este é o caso mais grave de corrupção da História do Brasil. Lamentavelmente, ainda não apurado pelo Ministério Público Federal. 
As terras brasileiras escondem o maior tesouro de minérios estratégicos do mundo. Em artigo na revista Rainha, sob o título: “Nióbio, o minério revelador da política oculta brasileira” – Roberto Galery afirma: “Com todo esse monopólio, poderíamos supor que o exploramos de forma a beneficiar o nosso próprio país. Não é bem isso o que acontece”. E continua: “Apesar do nosso monopólio indiscutível, seu preço não é determinado pelo Brasil, mas pela Bolsa de Valores de Londres,” embora devesse ser “balizado” pelo país que o possui.
Os minérios estratégicos que são hoje explorados na Amazônia, como aqui no Município de Presidente Figueiredo, pela Mineração Taboca, são de imensa importância. Assim com uma quantidade mínima de nióbio, “misturado ao ferro ou a outros minerais, como o titânio, se produz as superligas, aços de excelente resistência e durabilidade, usados para a produção de aviões a jato, turbinas, foguetes, mísseis, equipamentos de ressonância magnética, satélites, submarinos e as estruturas metálicas mais resistentes e mais leves já produzidos no mundo (30% menos peso) tornando-se assim, um minério estratégico para o desenvolvimento tecnológico no século XXI”. 
Na Amazônia este minério é simplesmente saqueado. E para ocultar o crime do saque necessitam-se de traidores da pátria. Romero Jucá é um personagem que tem uma trajetória de traições aos brasileiros mais vulneráveis, os índios, onde sempre se distinguiu como articulador da entrega à empresas, dos recursos naturais de suas terras, em especial, os minérios. Como Presidente da FUNAI, como Governador biônico de Roraima e como senador do mesmo Estado, sua preocupação foi acobertar, sem pudor, empresas (inclusive empresa de sua própria filha) e criar leis que favoreçam o acesso às minas em terras indígenas, à empresas mineradoras. Teve este objetivo a Portaria DNPM/O1/87, quando Presidente da FUNAI e o PL1610/1996 como senador. Ambas objetivam autorizar o saque dos minérios em áreas indígenas, sem falar das incontáveis intervenções no Senado. Não só porque nas terras indígenas existem minérios cobiçados por todos os países industrializados do mundo, mas também porque elas são muito vulneráveis. Áreas, onde as empresas, uma vez autorizadas, se protegem atrás desse tipo de lei para saquear à vontade. A mineração se torna automaticamente um ambiente oculto, segregado do controle da sociedade nacional, um verdadeiro Kuait brasileiro.
É isto exatamente que vem ocorrendo aqui no município de Presidente Figueiredo, onde multinacionais vem saqueando, desde 1981, os minérios estratégicos mais cobiçados do mundo, sem controle algum do Estado Brasileiro. Para ocultar estes crimes entram em cena os traidores da pátria, apoiados por poderosos esquemas políticos e por empresários dos países industrializados.


Casa da Cultura do Urubuí, 23 de maio de 16,

Egydio Schwade

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