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sexta-feira, 29 de março de 2013

Jesus não era um Suicida

“Jesus não era um suicida”, assim me falou uma vez minha mãe, Doroti Alice Müller Schwade. Ela falava isso porque sentia que as pessoas colocavam a morte de Jesus como algo que simplesmente tinha que acontecer e que por si só resolvia o problema do mundo, acabava com o pecado. Que depois disso o mundo estava automaticamente “salvo”.

O que ficou em minha consciência com os dizeres dela foi que Jesus não fez o que fez para morrer. Ele sabia que ia morrer, e enfrentou isso. Mas sabia que ia morrer porque as pessoas tinham medo de denunciar e se contrapor à violência, as injustiças, a opressão, a dominação de uns sobre os outros, as ações que levam ao sofrimento dos outros. Nestas condições, a última esperança era que as pessoas, ao tomar consciência que um inocente morreu por sua covardia, e que este inocente morreu por manter até o fim sua luta e sua denúncia às agressões cometidas contra o próprio povo, batessem no peito, se envergonhasse de suas ações que levam ao sofrimento dos outros (pecado) e da covardia que leva ao não combate a essas ações, redirecionasse sua vida por caminhos de verdade e justiça. Ele tinha a esperança que a partir daí mais pessoas lutassem para a construção do reino de Deus na Terra.

Isso aconteceu em certa medida. Muitos se converteram e se encorajaram. Mas muitos ainda precisaram ser mortos. E muitos ainda são mortos hoje por sua coragem de denunciar as injustiças e a opressão (portanto, denunciar o pecado), e por nossa covardia. Por isso, na semana santa minhas orações são para que a coragem de Jesus, de Chico Mendes, dos muitos Kiña (Waimirí-Atroari), e de tantos outros Mártires ressuscitem um pouco em mim e em mais e mais pessoas. Porque eles não eram suicidas, não queriam morrer e só quando não nos acovardarmos mais é que inocentes não precisarão doar suas vidas.

Maurício Adu Schwade
Paróquia de Santos Mártires e Nossa Senhora Aparecida, 29 de março de 2013

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