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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Quão Despreparados para Resolver Questões Sociais Somos!!


A não muito tempo soube de uma história de umas crianças aqui em nosso município, Presidente Figueiredo-AM, que estavam impedidas de estudar porque não tinham documentos. Algumas pessoas que estão preocupadas e tentando achar uma solução para o caso fizeram que eu conhecesse essa história. Não cabe detalhes para que se preserve os indivíduos. O fato é que, apesar de absurda, esta é uma triste realidade.
Este caso, que certamente não é algo incomum nem raro, põe as claras como nós, enquanto sociedade, estamos despreparados para incluir as pessoas e, pior que isso, estamos mais preocupados em seguir regras, que as vezes nem existem de fato, que cuidar das pessoas.
Assim, apesar de tudo que se prega sobre o direito universal à educação infantil, professores, gestores de escolas e funcionários de secretarias de educação impedem crianças de estudar porque estas não tem certidão de nascimento. Se fossemos um pouco mais preparado para a inclusão e para resolver problemas estes agentes não só aceitariam as crianças na escola, que é sua obrigação, quanto auxiliariam a família a conseguir seus documentos.
Uma secretaria de ação social que tomasse conhecimento de que existe esse tipo de situação, não só deveria ir atrás até resolver a situação de documentação, quanto acompanharia a família para que pudesse ir pouco a pouco melhorando a condição de vida, num serviço que não atendesse apenas as crianças, mas também seus pais. E mais importante que a ação isolada, deveria criar uma estrutura para resolver todos os casos deste tipo no município.
Agora, apesar da responsabilidade das instituições públicas, também existe a responsabilidade de cada um membro da sociedade. E aí também é flagrante o despreparo. Há sim muitas pessoas que tentam resolver, mas encontram tantos problemas que muitas vezes desistem. É o próprio desconhecimento dos tramites legais, a falta de vontade e de sensibilidade dos trabalhadores dos cartórios, a má vontade de outros que não querem usar nada de seu tempo em favor de outros e assim por diante.
Bom, não  fiquemos apenas nas queixas. Apontemos algumas coisas e ações necessárias. Espero que neste momento de transição, onde novos gestores públicos estão assumindo as secretarias e os cargos públicos, possamos ter um momento fértil para a mudança.
Para a Secretaria de Educação, é fundamental que se envie uma orientação explícita para todas as escolas para que não recusem ou empeçam, em hipótese alguma, o acesso de crianças à escola. Em caso de crianças sem documento, em vez de esconder ou se abster de responsabilidade, auxiliar na busca por solução.
Para a Secretaria de Ação  Social, é urgente a criação de uma pequena, hábil e comprometida equipe que percorra o município procurando problemas como estes e encaminhando a solução, não desistindo do processo pelo meio do caminho, mas acompanhando até o final e além do problema inicial, ajudando a família inclusive a acessar os programas sociais do governo e a melhorarem sua condição de vida. Uma equipe de duas ou três pessoas, comprometidas e sensíveis, com um carro a sua disposição e um orçamento mínimo que garantisse a fluidez de seu trabalho, fariam certamente muito para o município e custaria muito pouco.
Para a sociedade de modo geral, precisamos melhorar nossos instrumentos de  inclusão, nossa sensibilidade, nosso compromisso e nossa alegria em ajudar. Não será perda de tempo tirar um minuto, uma hora, um dia ou o tempo necessário para ajudarmos na solução dos problemas do próximo, pois no final das contas nós também somos o próximo dos outros. Se todos, como sociedade, estivermos dispostos a ajudar os outros, nossos problemas também serão resolvidos de forma muito mais fácil. E certamente seremos assim mais felizes... 

Casa da Cultura do Urubuí, 13 de janeiro de 2013.
Por Maurício Adu Schwade

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