Postagens

Capangas cortam corrente em Terras Waimiri-Atroari

Imagem
JOSÉ MARIA. Desenho Kiñá: Kamña manî. Escola Yawará, sd. Sempre primando pela covardia, agora apelando à lei, sem referir qual lei, o Dep. Geferson Alves de Roraima, veio exibir-se como “valentão”, cortando a corrente que os índios Waimiri-Atroari colocaram para proteger noturnamente a vida e as riquezas naturais do seu território, estes sim, como manda a Carta Magna no Capitulo VI, Art. 225, Caput: “ todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações ” Deputado covarde sim, assim como os agentes públicos que invadiram o território desses índios indefesos na década de 1970 e assassinaram mais de 2.000 deles, sem uma explicação ou justificativa dada ao povo que o preservou durante milênios. Covardia, sim! Pois quando se viu uma posição deste ‘valentão’ em defesa deste povo, quando os inter...

A Amazônia não comemora regime genocida

Uma das principais marcas das ditaduras no mundo é a política genocida. Com a ditadura militar instalada no Brasil em 1964 não foi diferente. Ela deixou marcas profundas na Amazônia. A mais terrível dessas marcas foi o genocídio cometido contra povos indígenas.  Percebendo a necessidade de revelar essa história da ditadura militar no Brasil, para que nunca mais se repita, o Comitê Estadual de Direito à Verdade, à Memória e à Justiça do Amazonas pesquisou e publicou um relatório sobre o genocídio cometido contra o povo Waimiri-Atroari.  Durante a construção da BR-174, os Waimiri-Atroari foram trucidados. Com uso do aparato militar disponível na época, o povo Waimiri-Atroari sofreu massacres que o reduziu a apenas 332 pessoas, a maioria jovens e crianças. Esse senso realizado em 1982, pelo pesquisador Stephen Baines, corresponde a somente 13% do que as estimativas oficiais da FUNAI indicavam no início dos trabalhos de construção da rodovia. Para entender o que ocorr...

Colégio Cristo Rei – São Leopoldo – 1967

Revmo. Pe. Geral Pe. Pedro Arrupe Pax Christi! Somos escolásticos, estudantes de Teologia. Trabalhamos – durante o nosso Magistério – três anos na Missão Anchieta de Diamantino, Mato Grosso. E é do trabalho daquela Missão e em particular do trabalho entre os indígenas e da situação dos indígenas do Brasil que queremos informar à V. Paternidade. Queremos fazê-lo com toda a sinceridade, procurando referir pontos, que nossos estimados superiores, pelo acúmulo de trabalhos talvez, às vezes, se esqueçam de referir à V. Paternidade, mas que afetam – no nosso entender – muito a orientação da Companhia. Parece-nos, P. Geral, que há um desajuste radical nos critérios segundo os quais se destinam os nossos aos trabalhos de evangelização em povos estranhos. Queremos falar da experiência que vivemos em nossa querida Missão Anchieta. A generosidade, que julgamos ser a estrada geral do Espírito Santo para as almas, e delas para a cristianização do mundo, ficou esquecida e desrespeit...

THOMAZ MEU COMPANHEIRO DE CAMINHADA MISSIONÁRIA

Embora substituísse Thomaz Lisboa em 1963 no campo de trabalho, onde passou todo o ano anterior, não pude me encontrar com ele antes de assumir o seu trabalho, na Prelazia de Diamantino, onde como estudantes jesuítas fizemos a nossa primeira experiência indigenista, só vim a conhecê-lo alguns meses depois. Vivemos os dois anos que se seguiram naquela missão, completamente isolados, sem juntos podermos avaliar as nossas experiências. O isolamento era uma das características em que viviam principalmente os estudantes jesuítas naquele tipo de missão, embora a decisão que nos levou ali era geralmente a mesma. Surgirá na vivência da família e no discernimento dos Exercícios Espirituais de Inácio de Loyola, e, naquele momento histórico, foi encorajada pelas orientações do Concílio Vaticano II, que nos dizia que ser preciso mudar a estrutura da Igreja Missionária, para que os povos indígenas pudessem sobreviver e participar com seus valores na construção de um mundo mais humano. Thomaz che...

Rezar por quem?

Dia 13 de março de 2016, domingo, no final da missa, o padre pediu orações pelo sucesso dos manifestantes daquele domingo, segundo ele, “foram às ruas para combater a corrupção”. Infelizmente não foi a corrupção que moveu esses manifestantes, mas um golpe para afastar do cenário nacional o Partido dos Trabalhadores, o único que até hoje combateu efetivamente a corrupção em nosso país. Para provar que a corrupção era galopante antes dos dois governos do PT, não precisa ir longe. É só adentrar a História e a pré-história do nosso município nesta BR-174. A construção da BR-174, durante o governo da ditadura militar, originou o município de Presidente Figueiredo e também a paróquia dos Santos Mártires e Nossa Senhora Aparecida, assim denominada pelo bispo D. Jorge Marskell, em memória ao genocídio dos índios Waimiri-Atroari, cometido pelo governo durante a construção da rodovia. Nem haviam matado todos os índios, quando o mesmo governo ditatorial entregou grande parte do territóri...

Relatório alerta para as consequências da extinção de polinizadores

Um número crescente de espécies de animais polinizadores está ameaçado de extinção em todo o mundo em decorrência de fatores como mudança no uso da terra, uso indiscriminado de pesticidas e  alterações climáticas. A reportagem é de Karina Toledo, publicada por Agência FAPESP, 01-03-2016. Caso não sejam adotadas medidas para reverter o quadro, as consequências para a economia global, a produção de alimentos, o equilíbrio dos ecossistemas e a saúde e o bem-estar humanos poderão ser desastrosas. O alerta foi feito por especialistas da Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos(IPBES) no relatório “Polinização, polinizadores e produção de alimentos”, divulgado hoje durante a 4ª Sessão Plenária da IPBES, em Kuala Lumpur, na Malásia. O processo de elaboração do documento foi coordenado ao longo dos últimos dois anos pelo britânico Simon G. Potts, professor da Universidade de Readings, no Reino Unido, e pela brasileira Vera Lucia Imperatriz Fo...

Quando a cidade é o campo

José Aldemir de Oliveira Professor da Universidade Federal do Amazonas É difícil não ser contaminado, nestes tempos sombrios, pelas ações, ou tentativas  delas, do desgoverno federal que se implantou com o golpe. É a escolha do ministro do STF, embora neste caso o escolhido esteja à altura (bem pequeno) tanto de quem escolhe como a que se destina. É a reforma do ensino médio recém sancionada que reserva papel secundário a várias áreas do conhecimento, em especial à Geografia, um saber fundamental para a compreensão dos problemas contemporâneos. É a tentativa de blindar ministros e políticos, e a mais recente, a reação do coronel freire inquilino do ministério da cultura, ao discurso do escritor Raduan Nassar. Muitas vozes não calaram e outras estão se levantando por ainda acreditarem que uma sociedade organizada é o primeiro passo na garantia da democracia e que esta não pode se resumir aos primados das maiorias eventuais, especialmente quando são construídas a partir de...