Postagens

Memória e Mobilização Indígena

Imagem
Mobilizar a memória perigosa. Lutar sabia e tenazmente contra todas as tentativas de suprimir direitos constitucionais. Dizer um enfático basta às violências e violações dos direitos dos povos indígenas e outras populações oprimidas. Nesse contexto realizou-se em Brasília a reunião da Comissão Indígena da Verdade e Justiça. Esse é um dos espaços de luta do movimento indígena e aliados para fazer frente à avalanche de iniciativas que visam retirar direitos constitucionais e consuetudinários desses povos, articulados pelas ruralistas e o agronegócio com a complacência e anuência tácita do governo. O objetivo maior da Comissão Indígena é que se faça justiça através da reparação coletiva e individual pelos crimes perpetrados contra os povos indígenas com a participação direta de entes do Estado ou pela omissão do mesmo. O Ministério Público Federal, que participou da reunião, constituiu um grupo de trabalho que já está trabalhando em alguns casos. Hoje como ontem ...

Dom Tomás Balduino

No dia 2 de maio, morreu D. Tomás Balduino, um dos grandes baluartes da luta dos povos indígenas, da transformação da política indigenista da Igreja a partir da criação do CIMI em 1972 e da luta dos pequenos agricultores pela terra como um dos fundadores da Comissão Pastoral da Terra – CPT, em 1975. Sempre me senti feliz por ter tido a oportunidade de poder compartilhar, lado a lado com Dom Tomás, revezes, esperanças e vitórias da luta indígena, desde o dia da criação do CIMI e em todo o período em que fui Secretario Executivo da entidade – 1973-1980. Lembranças de dezenas de encontros, cursos e assembleias com missionári@s e índi@s de norte a sul do país. Guardo a memória de inúmeros e inesquecíveis enfrentamentos e represálias da Ditadura Militar: Em 1974, Palmas/Paraná, cercados pela Polícia Federal, D.Tomás com altivez, junto com D. Agostinho, enfrentaram os policiais na portaria, discutindo e retendo-os enquanto nos fundos queimávamos relatórios e vestígios do Encontro de...

Dom Tomás Balduino

Imagem
Bauduíno e Casaldáliga, Foto Eliana Lucena. Morreu D. Tomás Balduino, um dos grandes baluartes da luta dos povos indígenas e da transformação da política indigenista da Igreja a partir da criação do CIMI em 1972.  Sempre me senti feliz por ter tido a felicidade de poder compartilhar, lado a lado com Dom Tomás, revezes, esperanças e vitórias da luta indígena, desde o dia da criação do CIMI e em todo o período em que fui Secretario Executivo – 1773-1980 da entidade.  Lembranças incríveis e inesquecíveis: enfrentamentos e represálias da Ditadura Militar, solidariedade aos povos indígenas dos Guarani e Kaingang do Sul, à Raposa Serra do Sol dos Makuxi, Taurepang, Wapixana e Ingarikó de Roraima. Dos Rikbaksa do Juruena aos Munduruku do Alto Tapajoz. Dos Bororo e Xavante aos Fulniô e Xukuru do Nordeste. Dos Tapirapé aos Terena e Kaiowá-Gaurani, por toda a parte estava D.Tomás, naqueles difíceis anos 70, junto e presente, dando coragem, animando a persistência de índios,...

Fundador do Conselho Indigenista Missionário Denuncia Massacre dos Povos da Amazônia

Imagem
A entrevista feita pela jornalista Ivânia Vieira foi publicada originalmente no Jornal ACrítica, do dia 3 de março de 2014.  Segue o artigo na íntegra. Filosofo e teólogo Egydio Schwade é coordenador do Comitê da Verdade Memória e Justiça do Amazonas. Para o historiador, professor e escritor José Ribamar Bessa Freire, o missionário Egydio Schwade e Doroti, a companheira dele de toda a vida que morreu em 2010 são os 'semeadores de alternativa para a soberania dos povos da Amazônia' “Em primeiro lugar, quero observar que talvez por motivo dos traumas sofridos pelas sociedades das regiões Sul, Sudeste e Nordeste, durante a toda a vigência da ditadura militar; as guerras no Araguaia, em Caparaó e no Vale do Ribeira; as perseguições; as torturas; as prisões; e as mortes sumárias, a maioria dos brasileiros tenta ignorar o que aconteceu no interior da Amazônia e em especial aos povos indígenas dessa região com o golpe militar e os governos ditatoriais”. “Mas, na Amazônia, ...

MPF Apura Violações Cometidas contra Indígenas Durante o Regime Militar no Brasil

Imagem
O trabalho de um grupo de procuradores já produziu resultados como a decisão liminar que determinou reparação aos indígenas Tenharim e Jiahui por danos causados pela construção da rodovia Transamazônica. Segue na íntegra a reportagem publicada originalmente pelo Jornal ACrítica (01/04/2014). O Ministério Público Federal (MPF) apura, este ano, quatro violações de direitos humanos cometidos contra indígenas durante a ditadura militar: as violações aos direitos do Povo Waimiri-Atroari, no Amazonas; violações aos direitos do Povo Guarani em razão da construção da Hidrelétrica de Itaipu, no Oeste do Paraná; as atividades desenvolvidas durante o funcionamento do Reformatório Krenak; e as atividades da Guarda Rural Indígena (GRI), em Minas Gerais. Os procuradores atuantes nestes casos são membros do Grupo de Trabalho (GT) Violação dos Povos Indígenas e Regime Militar, ligado à 6ª Câmara de Coordenação e Revisão (povos indígenas e comunidades tradicionais) do Ministério Público Fede...

STJ reconhece legitimidade da etnia Waimiri-Atroari sobre terras no Amazonas

A reportagem foi publicada dia 31 de março de 2014 pelo Superior Tribunal de Justiça e foi recebida como uma primeira vitória contra a grilagem de terras no Amazonas que envolve famílias tradicionais na política e economia do Estado de São Paulo e que prejudica não somente os Waimiri-Atroari, mas aproximadamente 2.000 famílias de agricultores do Município de Presidente Figueiredo. A área abrangida por esse único processo de grilagem corresponde a mais de 2.400.000 hectares e ocorreu no período da ditadura militar, mais precisamente entre 1969 e 1972. Confira na íntegra a reportagem: A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou, em julgamento unânime, a sentença que reconheceu a titularidade da comunidade indígena Waimiri-Atroari sobre a posse de determinada porção de terra que havia sido doada pelo estado do Amazonas a uma empresa privada. O caso refere-se à desapropriação realizada em 1986 pela estatal Centrais Elétricas do Norte do Brasil S/A (Eletronor...

Os Povos Indígenas e o Brasil: mais de cinco séculos de ditadura

Imagem
Por Egon Heck Nas vesperas do aniversário de 50 anos da Ditadura Militar brasileira.  Momento de reflexão, de tomada de consciência e de transformação. Desde o primeiro olhar distante ao abraço desconfiado, à chegada dos deuses esperados, aos invasores chegantes sedentos de conquistas, até hoje uma história majoritariamente pouco e mal contada. Quem sabe quando nos vem à memória os 50 anos do golpe militar de 1964, do início de mais uma ditadura, seja um momento privilegiado de informação, compreensão, respeito e valorização dos povos originários destas terras brasilis . E, mais do que isso, é preciso não apenas reconhecer o genocídio e o massacre de quase mil povos, numa média de extinção de dois povos por ano, mas fazer justiça aos 305 povos sobreviventes. O primeiro e fundamental será reconhecer, demarcar e respeitar seus territórios. Não há mais porque esperar. Antes que a bola role na Copa do Mundo, o mundo saberá porque ainda não se pagou essa dívida histórica aos p...