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Pedágio Indígena

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Por Egon Heck Prontamente o cacique Aurelio Tenharim dá outra interpretação “a gente não fala de pedágio, fala de cobrança de compensação. Ela nunca vai pagar a dívida. Nós éramos 30 mil tenharins, hoje somos 800. Os jeahoy foram quase extintos. Claro que o povo tenharim tem deixado aberto para negociar com os governantes. Esperamos quatro anos para sentar na mesa de negociação, mas nenhum órgão se manifestou. Ninguém levou a sério essa cobrança de compensação da parte do governo. Continua o cacique Aurelio “a Transamazônica tem história de massacre, de estupro de nossas índias, escravos, violação de direitos. Quem vai pagar isso? Essa compensação não está só na fala, está no Ministério Público Federal que tem esse relatório detalhadamente. As autoridades aqui presentes precisam ver o relatório levantado por antropólogos e biólogos.” Tribuna da Imprensa, 8/01/2014) Neste inicio de ano a atenção continua voltada para a Amazônia. Quando se fazia crer que ali a questão indígena...

A Batalha de Humaitá

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"A suspeita de que foram os indígenas os responsáveis por três desaparecimentos funcionou como um rastilho de pólvora em uma região marcada pela ilegalidade, violência e omissão do Estado." O texto traz importantes informações sobre os bastidores dos conflitos em Humaitá. Por Alceu Luís Castilho Originalmente publicado em " Agência Pública "   Cena 1. Terra Indígena Tenharim, km 123 da Rodovia Transamazônica, sul do Amazonas. 27 de dezembro de 2013. De um lado da ponte sobre o Rio Marmelos, de Manicoré para Humaitá, centenas de homens, 50 deles armados. Do lado de Humaitá, 100 guerreiros da etnia Tenharim, 50 de cada lado da estrada. Também armados. Zelito Tenharim, funcionário da Fundação Nacional do Índio (Funai), está no grupo que liga do orelhão para o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e a presidente da Funai também participam da conversa. E ouvem, ao fundo, os gritos d...

O Índio Está Aqui Desde que o Mundo Existe

Por José Aldemir de Oliveira (1) Originalmente Publicado por D24am.com Os acontecimentos no sul do Amazonas dos últimos dias deveriam nos levar à reflexão sobre o significado da terra para as populações indígenas e sobre o modelo de desenvolvimento que se insiste em adotar para a Amazônia que tem beneficiado uma minoria e prejudicado a maioria, especialmente as populações indígenas. Sobre o primeiro aspecto, tem-se incorrido num erro grave, qual seja, tratar a terra indígena como tendo o mesmo valor e o mesmo significado no imaginário de grupos portadores de modos de vida diferenciados, pois originados de outras culturas. É preciso compreender que a terra indígena é um espaço que, por meio do uso, se transforma em território, tornando-se humano e, portanto, cheio de possibilidades. Território produzido em tempos imemoriais, como sustenta Margarida Tenharim num depoimento que circula na internet : “ninguém pode me perguntar dizendo até que ano vocês estão aqui? Não, eu est...

Os Tenharim, a Ditadura e seus interesses na Região.

Diante das novas agressões que o povo Tenharim vem sofrendo no seu território ao Sul do Amazonas, trago a público trechos de documentos que guardo na Casa da Cultura do Urubuí, ou seja, cartas de agentes do CIMI de 1981, onde estes já denunciam os interesses que comandam as agressões contra esse povo. Interesses não muito diferentes dos de hoje.  Veja este relato de 1981, de Exequias Heringer, vulgo Xará, e Ana Lange, ambos então agentes do CIMI atuantes naquela região do rio Madeira:  “O grupo Paranapanema tem duas minerações de cassiterita na região: Igarapé Preto e São Francisco. Estivemos na primeira onde obtivemos informações com a equipe de engenheiros local. Lá a mineração se estabeleceu em cima da aldeia indígena (Tenharim), que teve de se transferir para uma área anexa. Não recebem qualquer tipo de assistência e se encontravam num triste quadro de catapora. Outros Tenharim estão dentro da reserva a ser demarcada, mas estes declaram que não irão para dentro da ...

DOROTI ALICE MULLER SCHWADE: Recordação no seu terceiro ano de falecimento

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Queridas Amigas e Queridos Amigos, Hoje se completam três anos do falecimento de Doroti. Este é um encontro de memória e de lembranças para todos que tivemos o privilégio de conhecê-la, de sentir seu carinho, de compartilhar sonhos, lutas e esperanças. É também oportunidade para que outros conheçam um pouco de sua história e de seu exemplo de vida, dedicação e compromisso com a construção de um mundo mais fraterno. Doroti nasceu na cidade de Blumenau/SC, no dia 8 de maio de 1948. Já aos 13 anos começou a trabalhar no comércio da cidade para ajudar nas finanças da família. Aos 15 assinou a sua primeira carteira de trabalho. Fez o seu primário e científico em escola pública, ingressando em seguida na faculdade de Pedagogia. Desde pequena propôs-se dedicar a vida aos mais necessitados, pensando ir como missionária leiga para a África. Participou do movimento jovem da Igreja Católica onde foi escolhida em 1973 para integrar um grupo de jovens que representou a juventude catarinens...

Nota à Comissão Nacional da Verdade

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Reunião do Comitê Pela Memória Verdade e Justiça do Amazonas Foto: Audimar Arruda, 4 de julho de 2013.   O Comitê Pela Memória Verdade e Justiça do Amazonas vem a público manifestar sua preocupação quanto ao andamento das investigações da Comissão Nacional da Verdade (CNV) a respeito dos massacres sofridos pelo povo indígena Waimiri-Atroari que, entre os anos de 1967 e 1986, foi reduzido a aproximadamente 10% do que era no início da construção da BR-174. É preocupante que a CNV ainda desconheça o conteúdo do Relatório encaminhado em outubro de 2012 pelo Comitê da Memória Verdade e Justiça do Amazonas no qual são descritos os mecanismos encontrados por agentes da Ditadura Militar para manter encobertos estes atos de genocídio. Ainda mais preocupante é o fato da participação deste comitê ter sido negada pela representante da CNV, Maria Rita Kelh, em sua visita à Terra Indígena Waimiri-Atroari entre os dias 5 e 6 de julho de 2013. Por outro lado, os trabalhos da CNV foram...

Carta Pública ante la Desaparición Física de el Hermano José María Korta Lasarte

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Esta semana a Aby Ayala (América do Sul) perdeu um dos principais defensores dos direitos dos povos indígenas. O Irmão Jesuíta José Maria Korta, que deixou sua terra basca em 1962 e desde então se tornou um incansável lutador pelos direitos dos povos indígenas da Venezuela. Quando em 2010 fui visitá-lo na Universidade Indígena da Venezuela (UIV), acabei surpreendido com a notícia de que ele estava em Caracas, em greve de fome pelo reconhecimento e contra a invasão dos territórios indígenas que, como nos outros Estados latino-americanos, vinham sofrendo graves pressões do agronegócio e mineração. O texto de despedida a seguir foi escrito por Jorge Arrenza, Vice-Presidente da Venezuela, e demonstra, não somente um pouco do significado desta perda, mas também a necessidade das lutas radicais, como a de Korta, para que haja uma melhor percepção dos Estados frente aos graves conflitos que ameaçam a vida de camponeses e indígenas. Korta é semente de vida plantada na terra. Aby Ayala ag...