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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Criticas ao Norte, Nortes pela Crítica [Apresentação]


Estudando sobre Theodor Adorno e outros grandes nomes da Teoria Crítica da escola de Frankfurt, e estimulado pela palestra do Dr. Jorge de Almeida (Prof. Dr. do Departamento de Literatura Comparada da Universidade de São Paulo – USP, em evento parte do CÍCLO ENCONTRO DE IDÉIAS 2012 promovido pelo PPGSCA e PPGS da Universidade Federal do Amazonas – UFAM) que falava que esta corrente de pensamento só poderia ser bem entendida e explicada na medida em que suas ideias fossem confrontadas com a realidade, resolvi sistematizar e apresentar pequenos ensaios que vinha fazendo sobre o Município de Presidente Figueiredo/AM, localizado no Norte do Estado do Amazonas, onde vivo e onde cresci.

Dois objetivos principais me motivaram: Primeiro a de vislumbrar algumas possibilidades da aplicação das teorias de Adorno e seus companheiros para compreender a realidade atual a partir de um olhar sobre uma realidade social concreta; segundo refletir junto com a juventude daquele município sobre o ambiente em que vivemos.

Nestes ensaios certamente não sou nem fiel nem exato em relação ao que escreveram os Frankfurteanos, mas, se como também falou o Dr. Jorge de Almeida, estes autores prefeririam ver suas teorias sendo usadas que apenas comentadas como algo com fim em si mesmo, peço licença para tentar fazê-lo mesmo que de forma ainda bastante atrapalhada e longe de ter me aprofundado o suficiente no pensamento crítico destes autores. Não é minha pretensão também fazer uma fiel reprodução do pensamento deles aplicando-a a outra realidade; pelo contrário, muitas vezes a forma que os cito faz com que o sentido não seja mais o mesmo. É necessário lembrar também que o olhar deles se estendia por um horizonte muito maior que o meu. Espero que estes pequenos escritos sejam compreendidos apenas como um exercício, um ensaio inacabado mesmo, na tentativa de contribuir para por as claras uma realidade permeada de repressão e violência, mas onde também ganham vida e florescem sonhos.

Minha análise se debruça sobre fatos que apareceram nos últimos meses em postagens feitas por pessoas da cidade em redes sociais na internet. Estas postagens revelam, além dos fatos em si, pensamentos e opiniões de sujeitos que aqui vivem. Apenas cá e lá falo de fatos que não aparecem nestes bate-papos cibernéticos para que se compreenda o que está por traz das ideias expressas.

Estes ensaios foram sendo pensados e escritos, e depois acrescidos, à medida que fui fazendo as leituras propostas na disciplina sobre a Teoria Critica no Brasil, ministrada pelo professor Dr. Renan de Freitas Pinto no Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia da Universidade Federal do Amazonas – PPGSCA/UFAM. Por isso eles retratam um pouco da caminhada teórica percorrida por mim, contendo textos desde quando estávamos apenas fazendo as primeiras leituras até textos de agora, fim do período da disciplina. No entanto não estão ordenados de forma cronológica, mas sim numa ordem que achei mais apropriada para a sequência da leitura.

Antes de chegarmos aos textos gostaria de apontar algumas ideias e reflexões que chamaram especial atenção e que formam o núcleo das ideias contidas nos primeiros três ensaios que apresentarei aqui no Blog Casa da Cultura do Urubuí nos prócimos dias.

O Primeiro texto nasceu quando lia sobre “Progresso” no livro “Palavras e Sinais” de Theodor W. Adorno (Tradução de Maria Helena Ruschel; supervisão de Álvaro Valls. Editora Vozes: Petrópolis, 1995). Esta leitura logo me levou a voltar a refletir sobre a história do município de Presidente Figueiredo que muito está imbricada com as concepções de progresso. Tal como aponta Adorno, aqui é muito comum a fetichização do progresso que “fortalece o particularismo deste, sua limitação às técnicas”. O conceito que deveria levar à melhoria nas condições de vida acaba reforçando seu oposto, justificando a manutenção de ambientes de repressão e violência.

Assim como as ideias de “progresso”, no processo dialético outros elementos são manipulados e usados muitas vezes de forma contraditória. Exemplo é o direito ao voto, símbolo da democracia, que aqui muitas vezes passa a ser arma contra uma democracia participativa na medida em que é usado para legitimar a política faccionária dos que conseguem vitória eleitoral, quase sempre mediante a força do poder econômico e da corrupção. Essa ideia é exposta no segundo texto.

O terceiro texto traz uma reflexão sobre a Festa do Cupuaçu após a leitura dos textos sobre “A Indústria Cultural”. A festa é vista como parte de um esquema onde a cultura é engolida pelo sistema político esclerosado.

Tentaremos perceber, no decorrer deste exercício, como o pensamento negativo pode se constituir em “destruição criadora” (tema tratado por José Guilherme Merquior já nas primeiras páginas da obra “Arte e Sociedade em Marcuse, Adorno e Benjamin. Editora Tempo Brasileiro: Rio de Janeiro, 1969). Como a denúncia e o evidenciar os problemas pode levar a enxergar direções necessárias. Esperamos que da mesma forma os leitores, especialmente os de Presidente Figueiredo, possam perceber que por traz da negatividade destes escritos se escondem sonhos e pensamentos positivos e de estremo carinho por essa porção ao norte do Brasil.


[Link's para ensaios da série: Ensaio 1Ensaio 2Ensaio 3



Maurício Adu Schwade,
Casa da Cultura do Urubuí, 27/07/2012  

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