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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

RORAIMA INDÍGENA – 1976 (parte 3)*

A vocação pecuária do “civilizado” em Roraima.
“Desde a colonização, os campos de Roraima têm-se mostrado amplamente compensadores para a pecuária. E agora então, com a melhoria do rebanho existente, o incentivo à pecuária de corte, a implantação de matadouro frigorífico, Roraima encontra a sua vocação histórica – a pecuária para a exportação”. (ReR. Pg.6).
O primeiro a incentivar a pecuária em Roraima foi Lobo D`Almada em 1789. Sintomaticamente, a atividade do próprio SPI – Serviço de Proteção ao Índio – iniciou com uma fazenda: a Fazenda São Marcos, que até hoje se constitui na principal preocupação dos “indigenistas” da FUNAI em Roraima.
“A cidade de Boa Vista, capital do Território, teve sua origem na Fazenda de gado fundada em 1830 pelo Capitão Inácio Lopes de Magalhães. A outra cidade roraimense, Caracaraí, foi implantada no local de um antigo curral de boi, do Cel. Bento Brasil...” (ReR, 24). A fundação das duas únicas cidades do Território pelo boi, parece ser sintomática. A invasão do boi tem marcado a política de Roraima no seu relacionamento com o índio, pois este sempre foi visto só depois do boi. O boi vem empurrando o índio desde 1789 até hoje, para trás do arame farpado. E, no alvorecer de 1977, o “curral” do índio é bem mais apertado do que o do boi.
Assim se compreende muito bem o interesse do “civilizado” pelo boi. A. F. de Souza chega a observar que “uma das maiores festas populares de Boa Vista é a exposição de produtos econômicos do Território, onde o boi concentra as melhores atenções do povo, atraindo para a cidade o homem rural de todos os quadrantes da gleba” (ReR, 24).

*Terceira parte do relatório que fiz, em 1976, sobre a situaçao indígena em Roraima.

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