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quinta-feira, 21 de julho de 2011

A COMUNICAÇÃO DAS ABELHAS: Rainhas também Guardam o Conhecimento das Fontes do Alimento.

Estudos do pesquisador Karl von Frisch da Universidade de Munique (1920), comprovaram que as abelhas guardam e “transmitem com exatidão às suas colegas o local e a distancia do alimento encontrado. Esta comunicação é realizada através da dança do requebrado e circular que indica a distancia entre a colméia e o alimento, bem como a direção em relação ao sol e à colméia.”(Helmuth Wiese). Neste campo, parece, a ciência não mais avançou após as descobertas de von Frisch.

Em nosso apiário localizado no sítio de Jaziel Nunes, km 04 da AM/240, a 7 km da cidade de Presidente Figueiredo/AM, fizemos uma observação que oferece um dado novo sobre a comunicação das abelhas, a saber, as operárias também transmitem a localização das fontes do alimento às suas rainhas, que guardam e retransmitem oportunamente este conhecimento às suas filhas.

No dia 2 de fevereiro de 2004, a colméia de Nº 44, localizada sob um abacateiro no ponto geográfico 042. S 02º03’ 36.9’’ HO 59º58’42.3’’, produziu 8 kg de mel bem escuro, pouco comum na região, enquanto as demais colméias, uma há 3 metros e outras duas a 20 metros da mesma, produziram juntas apenas 1 kg e meio de mel de cor dourada. No dia 26 de julho do mesmo ano fizemos uma divisão artificial da colméia e transferimos a colméia-mãe para o ponto geográfico 041 S 02º03’49.6’’ HO 59º58’25.2’’, a 500 metros do local de origem.

No dia 12 de fevereiro de 2005, colhemos novamente 8,6 kg do mesmo mel escuro, da mesma colméia, agora localizada 500 metros do local original. A filha e as demais colméias, (4 no local de origem, e 9 no local de destino), produziram bem menos e novamente apenas mel dourado. Trata-se do período das chuvas em que há pouca produção de mel em nossa região, a menos que ocorra um fator novo, o que não foi o caso.

Normalmente, o auge da produção de mel em nossa região se dá entre julho e novembro, período em que é difícil anotar as diferenças no mel, uma vez que a produção na região é bastante grande e as cores muito variadas. Entretanto, observamos outros casos semelhantes, bastante expressivos principalmente com própolis que confirmam a nossa observação acima. Isto nos levou à certeza de que a raínha também é informada pelas operárias sobre o local do alimento, o memoriza e o transmite às suas filhas. Desta forma, não carece que as abelhas operárias de um mesmo local procurem, sempre de novo, todas as fontes, por que a raínha como depositária dessa informação a fornece às filhas de um ano para outro. No caso citado já se haviam sucedido umas 6 gerações de operárias entre uma e outra florada da espécie em questão.

A descoberta nos levou à conclusão sobre a importância da rainha para o coletivo, não só como mãe da colméia, mas também como principal depositária das informações sobre localização dos recursos que garantem o alimento e a saúde do enxame.

A constatação traz os seguintes questionamentos para a apicultura atual:

1. Se o conhecimento das fontes dos recursos necessários para o alimento e para a saúde das abelhas não está restrito ao período da existência das abelhas operárias, mas se estende à vida da rainha, fica questionado o assassinato precoce das rainhas, sugerido de acordo com alguns, após 18 meses, (Helmuth Wiese) cf. outros após 12 meses (Mauro Roberto Martinho da Universidade de Viçosa/MG).

2. a alimentação artificial das abelhas principalmente no inicio das floradas, pode ser prejudicial à saúde dos enxames. Ficando sujeitas ao paternalismo do apicultor, as abelhas não mais obedecerão à orientação da rainha. Com isto o enxame pode perder importantes informações sobre suas fontes de recursos, tanto do alimento, como da saúde. No inicio das floradas é o momento em que acontece, além da alimentação natural, a “medicina preventiva” dos enxames, isto é, quando estes se fortalecem com a variedade e com os alimentos orgânicos abundantes na natureza.

3. O saque do pólen, “pão-das-abelhas”, ou “saburá”, para fins comerciais é altamente prejudicial para as abelhas, principalmente, no início das floradas. É o alimento insubstituível para a saúde e o fortalecimento das abelhas neste período. Substituindo-o por alimentação artificial, pobre, se comparada aquela oferecida pela natureza, enfraquecemos a saúde das abelhas. (Nunca alimentamos as abelhas. E nunca tivemos, até o momento, problema sério de doença em nossos enxames.)

3. A depredação das florestas e da vegetação nativa em geral é um desastre para as abelhas, pois é a vegetação nativa que garante aos enxames a variedade de produtos alimentícios e medicinais para a sua sobrevivência.

Como conseqüência, deveriam os apicultores e principalmente as associações de apicultores como a Confederação Brasileira de Apicultura e o Apis Clube do Brasil, abandonar a sua modéstia e exigir presença na discussão das políticas públicas ambientais e não deixar que os governos, determinem os critérios de sustentabilidade atrás dos interesses necrófilos de madeireiros e de latifundiários do agro-negócio.

Concluindo, queremos dizer que se as rainhas das abelhas guardam conhecimentos para além das estações, fica o alarme de que a morte precoce das rainhas, o paternalismo dos apicultores e a depredação das florestas e dos ambientes naturais, são os principais vilões dos incontroláveis problemas que assolam hoje a vida das abelhas em quase todo o mundo.

Presidente Figueiredo, 06 de agosto de 2007.

Doroti e Egydio Schwade

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