segunda-feira, 30 de abril de 2012
Balbina no País da Impunidade (1989)
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Novos Ayres pós Peluso
Mudanças na presidência do Supremo Tribunal Federal são sempre momentos de expectativa e esperança. Para os povos indígenas tem sido assim. Pois muitas das terras indígenas tem seu processo de demarcação paralisada por ações que estão no Supremo. E não são poucas. São dezenas, cuja conseqüência é muito sofrimento, conflitos e mortes. É o caso dos Pataxó Hã-hã-hãe, que tem uma ação para ser julgada pelo Supremo a 28 anos. É tempo demais para quem está invadido a séculos. Aos valorosos indígenas desse povo não resta outra perspectiva a não ser irem reocupando o território que há décadas está demarcado e continua invadido. Essa é a razão por que retomaram dezenas de fazendas, recentemente, estando no momento de posse de quase todo seu território de 54 mil hectares.Os Kaiowá Guarani de Nhanderu Marangatu, estiveram diversas vezes com o ministro Cesar Peluso quando este era o relator da ação que suspendeu os efeitos da homologação daquela terra indígena de 9.300 ha, no município de Antonio João, no Mato Grosso do Sul, fronteira com o Paraguai. Ali sobrevivem em situação extrema de carestia mais de mil indígenas em aproximadamente 124 hectares de terra. E isso desde dezembro de 2005 quando foram jogados na beira da estrada e após meio ano retornaram para um espaço ínfimo de seu território. E não é pela falta de comprovação da pertença da terra aos índios. Ao contrário, por ser comprovadamente terra indígena, com lado pericial já concluído há vários anos, é que se entende a demora do julgamento.
Com a posse do novo Ministro do STF, os indígenas esperam celeridade no julgamento das ações que estão paralisando o reconhecimento de suas terras. A Ministra Ellen Gracie, quando presidente da suprema corte, recentemente, anunciou que daria prioridade ao julgamento das ações envolvendo os povos indígenas. Infelizmente isso não se traduziu em realidade. Agora uma vez mais os povos indígenas reiteram sua confiança de que finalmente os processos envolvendo seus direitos, especialmente a terra sejam colocados em pauta e julgados para por fim ao sofrimento secular.
Dia de luta dos povos indígenas
Várias lideranças indígenas e suas organizações tem se manifestado no sentido de transformar o dia 19 em dia de luta dos povos indígenas. E o mais importante que isso se dá em aliança e articulação de outros movimentos no campo, especialmente os quilombolas e os Sem Terra. Diante do retrocesso com relação aos direitos constitucionais, particularmente das populações do campo, nos unimos e solidarizamos com essas populações, pois a situação é extremamente grave, como manifestou recentemente a Comissão Pastoral da Terra, em documento à opinião pública “Está em curso uma nova caça aos povos indígenas, comunidades quilombolas, e outras comunidades tradicionais, por um contingente expressivo de escravocratas, que lançam seus tentáculos em diferentes espaços do Estado Brasileiro e tem apoio de diferentes órgãos da imprensa nacional.”
Em várias regiões do país o movimento indígena, juntamente com participação de outros movimentos sociais e populares, realizaram ações exigindo seus direitos. Fecharam estradas em várias regiões do país e promoveram ações de protesto e exigência de respeito a seus direitos particularmente seus territórios e recursos naturais.
Nos anos anteriores o governo, através do Ministério da Justiça procurava marcar o dia do índio assinando pacotes de homologações ou decretos de terras indígenas. Esse ano sintomáticamente o apenas o presidente da FUNAI assinou três portarias de identificação de terras indígenas. Alguns alimentavam a esperança de que o governo reservaria uma importante surpresa no reconhecimento de terras indígenas e até a nomeação da nova presidência da FUNAI. Nada disso aconteceu. Ou melhor continuou acontecendo o quase nada de sempre.
Egon Heck
Povo Guarani Grande Povo - Cimi 40 anos
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sexta-feira, 13 de abril de 2012
Câmara Federal irá apurar desaparecimento de indígenas waimiri-atroari durante ditadura militar
[A inclusão na Comissão da Verdade dos massacres ocorridos contra os Waimiri-Atroari é uma vitória histórica contra os crimes cometidos pela Ditadura Militar. A Casa da Cultura do Urubuí continuará a contribuir com as investigações fornecendo documentos históricos que comprovam esses massacres.]
Matéria publicada no Jornal Acrítica
Por Elaize Farias
O desaparecimento dos indígenas nos anos 70 teria causado um impacto significativo na população dos waimiri-atroari.
A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal instaurou procedimento para apurar os casos de desaparecimento de indígenas da etnia waimiri-atroari, no Amazonas, nos anos 70. A abertura do inquérito para investigar os desaparecimentos foi requerida na noite desta quinta-feira (12).
A denúncia dos supostos massacres dos indígenas naquela década foi feita pelo indigenista e ex-missionário Egydio Schwade, em matéria publicada no último domingo (08), no jornal A CRÍTICA e no portal acritica.com. Egydio morou durante dois anos entre os indígenas waimiri-atroari, onde tomou conhecimento do desaparecimento de aproximadamente 2 mil waimiri-atroari.
Segundo informações da Comissão a decisão de abrir o inquérito foi feita após a leitura da matéria publicada no jornal pelos membros da Comissão de Direitos Humanos.
Ofícios serão expedidos para todas as instituições envolvidas, como Eletronorte, Programa Waimiri-Atroari, Fundação Nacional do Índio (Funai) e indigenistas que atuaram junto aos waimiri-atroari. Após o inquérito, dependendo dos dados apurados, deve ser realizada uma audiência pública.
O desaparecimento dos indígenas teria causado um impacto significativo na população dos waimiri-atroari. No início dos anos 80, a estimativa era de 330 indígenas - no final dos anos 60, esse número era estimado em 3 mil. Além de doenças transmitidas por "brancos" que trabalharam na construção da rodovia BR-174, os indígenas também foram perseguidos por resistirem à construção da estrada.
Na década seguinte, a terra indígena dos waimiri-atroari foi inundada para a construção da Usina Hidrelétrica de Balbina. Um programa de mitigação foi elaborado para responder aos impactos causados na população.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Estratégias de Ocultação da História dos Kiña (Waimiri-Atroari)
Este é o 6º artigo da série que publico no blog da Casa da Cultura do Urubuí, a propósito da criação da Comissão da Verdade que procura desvendar os crimes ainda ocultos cometidos pela Ditadura Militar contra a população brasileira, denunciando os crimes cometidos contra os povos indígenas. Aqui trato, em especial, da estratégia do Governo usada no massacre do povo Kiña, ou Waimiri-Atroari, a partir de 1967, quando começou a construção da BR-174 e posteriormente para ocultar o crime.
| Imprensa Nacional / Operação Atroaris |
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Polícia Federal ouve missionário que queimou título de eleitor no Amazonas
O problema ainda é uma realidade no interior do Estado, constatado em correições da Corregedoria do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM): eleitores sem ligação com os municípios transferem título e desestabilizam a eleição, fraudando o resultado do pleito. Mas, em 1996, a fraude em Presidente Figueiredo era gritante.
Naquele ano, o número de eleitores na cidade era maior do que o da população. Enquanto o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrava 9.842 habitantes, o TRE-AM permitiu que o número de eleitores chegasse a 12.682. Neste período, em que o eleitorado de Presidente Figueiredo subia assustadoramente, urnas eram colocadas dentro de localidades privadas contrariando a legislação em vigor e permitindo verdadeiros currais eleitorais.
Egydio Schwade anunciou que se nenhuma atitude fosse tomada para alterar a situação queimaria o título em protesto. E marcou hora e data. Segundo ele, o juiz eleitoral de Presidente Figueiredo na época era Roberto Hermidas Aragão Filho, que o advertiu sobre o crime. “Eu disse a ele que me prendesse que era o correto. Mas disse também que ocorriam naquela cidade crimes bem mais graves que eu estava denunciando. Ele disse para mim: então queime em casa”, lembrou Schwade.
Como nada foi feito, Egydio cumpriu a palavra e queimou o título. “Não apareceu ninguém. Nem juiz, nem polícia. Só a imprensa”, afirmou.
A partir daí, as irregularidades eleitorais no município tiveram mais repercussão. Hoje, a cidade tem mais habitantes que eleitores. A população é de 27.926 pessoas e o número de votantes é 16.178.
Dezesseis anos depois, o inquérito contra Egydio ainda estava em aberto na Polícia Federal e ele foi chamado a dar esclarecimentos. Aos 76 anos, enfrentou 117 quilômetros e veio a Manaus repetir todas as denúncias que fazia aos jornais na ocasião.
Sozinho, foi ouvido pelo delegado federal Rafael Machado Caldeira por uma hora e meia. Enquanto isso, o prédio da Superintendência era esvaziado para que um fumacê de produtos químicos dedetizasse o local.
Do lado de fora, o filho Luiz Schwade demonstrava preocupação de que a inalação do fumacê prejudicasse a saúde de Egydio. Ele, no entanto, deixou o prédio com muita disposição. O agricultor disse que confirmou que queimou o título e relatou as mudanças que ocorreram na cidade após a denúncia.
Segundo Egydio, o delegado o informou que o inquérito deve ser arquivado devido o tempo que já se passou desde o problema. Questionado se tomaria a mesma atitude, ele respondeu, em tom de brincadeira, que não tem mais título. Mas, se fosse para voltar o tempo, repetiria a atitude. E disse que continua denunciando irregularidades na área rural do Amazonas em seu blog urubui.blogspot.com
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