2000 Waimiri-Atroari Desaparecidos Durante a Ditadura Militar

Que vivam os Povos Indígenas do Brasil! Que vivam Bem!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Massacre de índios em acampamento em Amambaí [Triste realidade Brasileira]


[Como muitos de vocês já devem ter visto pela internet, a cidade de Amambai/MS vivenciou ontem (18/11) mais um caso de massacre à população indígena Guarani Kaiowá. Como forma de protesto, os alunos indígenas da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS) - Unidade de Amambai, incentivados pela professora e antropóloga Aline Crespe, escreveram uma carta contando os detalhes do acontecimento. A situação em que vive a população indígena no Mato Grosso do Sul não é nada simples, os casos de violência são muito frequentes e nos remetem mesmo a uma situação de extermínio racial]


Ontem pela amanhã, ao abrir meu e-mail, recebi mais uma triste notícia de uma situação de violência contra um grupo indígena acampado em uma área em litígio e a espera da continuidade do processo de regularização fundiária da terra indígena. O acampamento se localiza em Amambaí, sul de Mato Grosso do Sul, a menos de cem quilômetros da fronteira com o Paraguai. O acampamento está localizado em uma pequena parte da área de ocupação tradicional chamada Guaiviry. A área esta inserida no conjunto de terras indígenas que deverão ser demarcadas no Mato Grosso do Sul. O processo de identificação destas áreas começou em 2007 e desde então vem sido repetidamente interrompido pelos conflitos políticos que o envolve. Enquanto isso, repetidos atos de assassinatos contra grupos indígenas que aguardam pela identificação e demarcação destas áreas vem ocorrendo. A situação de insegurança e medo vivido pelas populações indígenas é insustentável. No ano passado a Survival Internacional publicou um importante relatório denunciando a situação das populações guarani no estado de Mato Grosso do Sul. Fiquei chocada com o que aconteceu e sabia que não tinha como ficar quieta, não falar nada ou fingir que estava tudo bem. Sou professora na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul na unidade de Amambaí, no curso de ciências sociais. Fique pensando como daria aula para os estudantes indígenas naquele dia. Então, fui conversando com os alunos, um a um, e marcamos de nos reunirmos todos para conversamos, até que eles decidiram por escrever uma carta. A carta foi escrita por eles ficando como minha responsabilidade a divulgação dela. Na carta, como vocês poderão ver, um aluno da história e morador da aldeia de Amambaí fala algo muito parecido com o que Marcos Homero Ferreira Lima, antropólogo do MPF de Dourados diz para a Survival sobre um acampamento de beira de estrada localizado as margens da BR 163 no município de Dourados. Homero diz: Não se trata de hipérbole quando se fala em genocídio, pois, a série de eventos e ações perpetradas contra o grupo, como se objetivou demonstrar, desde o final da década de 1990, tem contribuído para submeter seus membros a condições tolhedoras da existência física, cultural e espiritual. Crianças, jovens, adultos e velhos se encontram submetidos a experiências degradantes que ferem diretamente a dignidade da pessoa humana. O modo de vida imposto àqueles Kaiowá é revelador de como os brancos vêem os índios. O preconceito, o descaso, o descuido, a não consideração dos direitos à terra, à vida, à dignidade são patentes. A situação por eles vivenciada é análoga àquela de um campo de refugiados. É como se fossem estrangeiros no seu próprio país. É como se os 'brancos' estivessem em guerra com os índios e a estes últimos só restasse a fina faixa de terra que separa a cerca de uma fazenda e a beira de uma rodovia.
A crueldade do caso envolvendo o acampamento e a truculência dos assassinos não pode ser tratada como mais um caso de violência. Estamos vivendo uma guerra de fato, mas é uma guerra que só morrem pessoas de um lado. 
Segue a carta dos estudantes Guarani e Kaiowa dos cursos de ciências sociais e história. As informações contidas na carta foram recebidas por pessoas que estavam no acampamento na hora do massacre. Peço, por gentileza, que ajudem na divulgação para que possamos agregar mais gente na luta contra a violência contra os povos indígenas [Aline Crespe]. 



Por volta das seis horas chegaram os pistoleiros. Os homens entraram em fila já chamando pelo Nísio. Eles falavam segura o Nísio, segura o Nísio. Quando Nísio é visto, recebe o primeiro tiro na garganta e com isso seu corpo começou tremer. Em seguida levou mais um tiro no peito e na perna. O neto pequeno de Nísio viu o avô no chão e correu para agarrar o avô. Com isso um pistoleiro veio e começou a bater no rosto de Nísio com a arma. Mais duas pessoas foram assassinadas. Alguns outros receberam tiros mas sobreviveram. Atiraram com balas de borracha também. As pessoas gritavam e corriam de um lado para o outro tentando fugir e se esconder no mato. As pessoas se jogavam de um barranco que tem no acampamento. Um rapaz que foi atingido por um tiro de borracha se jogou no barranco e quebrou a perna. Ele não conseguiu fugir junto com os outros então tiveram que esconder ele embaixo de galhos de árvore para que ele não fosse morto.
Outro rapaz se escondeu em cima de uma árvore e foi ele que me ligou para me contar o que tinha acontecido. Ele contou logo em seguida. Ele ligou chorando muito. Ele contou que chutaram o corpo de Nísio para ver se ele estava morto e ainda deram mais um tiro para garantir que a liderança estava morta. Ergueram o corpo dele e jogaram na caçamba da caminhonete levando o corpo dele embora.
Nós estamos aqui reunidos para pedir união e justiça neste momento.
Afinal, o que é o índio para a sociedade brasileira?
Vemos hoje os direitos humanos, a defesa do meio ambiente, dos animais. Mas e as populações indígenas, como vem sendo tratadas?
As pessoas que fizeram isso conhecem as leis, sabem de direitos, sabem como deve ser feita a demarcação da terra indígena, sabem que isso é feito na justiça. Então porque eles fazem isso? Eles estão acima da lei?
O estado do Mato Grosso do Sul é um dos últimos estados do Brasil mas é o primeiro em violência contra os povos indígenas. É o estado que mais mata a população indígena. Parece que o nazismo está presente aqui. Parece que o Mato Grosso do Sul se tornou um campo de fuzilamento dos povos indígenas. Prova disso é a execução do Nísio. Quando não matam assim matam por atropelamento. Nós podemos dizer que o estado, os políticos e a sociedade são cúmplices dessa violência quando eles não falam nada, quando não fazem nada para isso mudar. Os índios se tornaram os novos judeus.
E onde estão nossos direitos, os direitos humanos, a própria constituição? E nós estamos aí sujeito a essa violência. Os índios vivem com medo, medo de morrer. Mas isso não aquieta a luta pela demarcação das terras indígenas. Porque Ñandejara está do lado do bom e com certeza quem faz a justiça final é ele. Se a justiça da terra não funcionar a justiça de deus vai funcionar.


Estudantes Guarani e Kaiowá dos cursos de ciências sociais e história e moradores da aldeia de Amambaí.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Roraima Indígena - 1976 (Parte 2)*

I – História da Presença do “Civilizado” e a História dos Índios em Entrelinhas.
Para se chegar à verdadeira história, a história viva dos povos indígenas roraimenses, é preciso soprar as cinzas a fim de localizar as brasas que estão por baixo ou lê-la nas entrelinhas da história de mentira do “civilizado”. É o que procuro fazer nas linhas que se seguem. Temos poucas pistas para escrever a história dos índios e do povo sofrido de Roraima. A própria história do “civilizado” no Território de Roraima é pobre em registros.
Procuramos na Prefeitura de Boa Vista e nas raras bibliotecas da cidade uma história do Território. Aqui só ofereceram o romance: “A Mulher do Garimpo” – de Nenê Macaggi. Na Prefeitura me venderam “Roraima em Revista”, do Prof. Antonio Ferreira de Souza. Ninguém soube me informar sobre outras referencias bibliográficas do Território de Roraima.
Nas entrelinhas da história do “civilizado”, podemos perceber que a cobiça pelo minério e a pecuária tem sido o câncer dos territórios dos índios em Roraima. Tudo o mais, na medida em que era obstáculo, foi ferozmente combatido.
As missões religiosas, inclusive católicas, se envolveram, freqüentes vezes, neste clima de “ambições de conquista”. Até nos nossos dias verificam-se tentativas de envolvimento dos missionários nas ambições dos “civilizados”.
Em “Roraima em Revista” lê-se: “No rumo traçado pelo DNER, para a ligação rodoviária Manaus - Boa Vista, Capital do Teritório Federal de Roraima – BR-174, está compreendida a travessia da região habitada pelos índios Atroaris e Uaimiris, nascentes do rio Santo Antônio e a bacia do curso médio do rio Alalaú”.
“É sabido que aqueles selvagens não querem aceitar a aproximação da gente civilizada e têm oferecido hostilidades, quase sempre de modo traiçoeiro, a todos os que vêm experimentando a desventura de penetrar na área de seus domínios. Mas, com o advento da Revolução de 31 de março, nenhum obstáculo poderá impedir; não há dificuldades que possam interceptar o desenvolvimento do Brasil, principalmente na Amazônia, onde estradas estão rompendo a selva equatorial em todas as direções. A BR-174 é fator de integração nacional e de ligação internacional com a Venezuela, nas fronteiras setentrionais da pátria brasileira, cujo subsolo esconde riquezas minerais que se traduzem nas grandes possibilidades econômicas que as estradas ajudarão a descobrir”.
“A fim de evitar os perigos de possíveis ataques por parte dos Atroaris, contra o pessoal empenhado nos trabalhos de construção da rodovia, planejou-se a ida ao local, de uma comitiva pacificadora constituída de pessoas dotadas de certa experiência no assunto, com objetivo de preparar o espírito dos selvagens, quanto à passagem da estrada naquelas imediações e persuadi-los das vantagens que esse empreendimento lhes proporcionaria, com a integração deles, índios, à comunidade nacional e a incrementação de técnicas modernas no campo da agricultura e da criação. Uma outra alternativa que estava na pauta da missão pacificadora, era tentar um afastamento, com moderação, daquelas tribos indígenas para o alto curso do rio Alalaú.”
“Para chefiar a comitiva foi designado o Pe. João Calleri, missionário da Prelazia de Roraima, que, com muito êxito, vinha catequizando os índios da região do médio e do alto Catrimani, silvícolas com quem a nossa civilização ainda não havia mantido contato.” (Roraima em Revista – pgs. 47-48).
O homem “civilizado”, através de toda a sua historia de domínio de Roraima, ainda não se antecipou ao boi. A declaração do atual governador Fernando Pereira Ramos, de que “não será uma meia dúzia de tribos indígenas que irão impedir o progresso de Roraima”, concorda perfeitamente com as atitudes dos primeiros portugueses, espanhóis e ingleses que aportaram em Roraima, “que começaram submeter a sua obediência as tribos indígenas que habitavam o vale formado pelos rios Pirara, Amaí e Alto Rupununi” (ReR, pg.21) .


Enfeitiçados pelo minério
Antonio F. de Souza apresenta em seu livro uma poesia de sua autoria que começa com esta frase: “O minério anima e enfeitiça, Roraima faísca e fascina”. A cobiça mineral tem acompanhado todos os passos da historia do “civilizado” em Roraima e o tem cegado. “O rio Branco basta para salvar da ruína qualquer país do mundo”, observava em 1925 Hamilton Rice, cientista norte-americano. Observações de cientistas, aventureiros e de missionários atraíram muitos senhores nacionais e estrangeiros para Roraima, arrastando consigo centenas e centenas de pobres garimpeiros. No caminho de suas ambições, deixaram para o índio a morte e as suas doenças e o câncer da invasão dos seus territórios. O brilho dos minérios cegou o homem “civilizado”. Até hoje ele não conseguiu ver o sofrimento humano ali. Ainda não enxergou o homem roraimense: o índio.



*Segunda Parte do relatório que fiz, em 1976, sobre a situaçao indígena em Roraima .

sábado, 19 de novembro de 2011

O Sorriso Matado

Foto: Eliseu Lopes – tirada 2 dias antes do assassinato
Balas assassinas mataram Nisio Gomes. Seu jeito meigo e sorridente, era sua característica principal, inconfundível. Sua fala baixa, se tornava por vezes quase incompreensível. Ele estava em quase todas as mobilizações de luta do povo Kaiowá Guarani pelos seus direitos, especialmente à terra. Nos últimos dez anos já voltara quatro vezes a seu tekohá Guaiviry. Era um lutador resistente, persistente. Não desistia nem por nada a seu sagrado chão. Guduli, nhandesi, sua companheira, morrera há três anos, sem a alegria de viver em sua terra Guaiviry. Ela era entusiasta e contagiava com sua disposição. Era profunda conhecedora a vida e religiosidade de seu povo. Era de uma energia inquebrantável. Com sua morte o grupo ressentiu bastante, mas não desistiu de sua luta, a volta ao tekohá.
Nisio sorriso tombou, nesta manhã. Friamente executado diante do seu .grupo por pistoleiros contratados pelos interesses contrariados da região. Mataram um lutador sorridente, mas não conseguiram matar a luta.
Dois dias antes de ser assassinado 45 Kiaowá Guarani, que participaram da Jeroky Guasu em Laranjeira Nhanderu, foram levar apoio, solidariedade e alguns alimentos aos seus parentes acampados em Guaiviry. O grupo pressionado e cercado há 20 dias ficou muito feliz e alegre com a visita dos parentes. Numa das fotos Nisio, diante de seu barraco, está sorridente. Assim um dos membros da delegação descreveu a visita “O grupo está na mata, estão bem. Decidiram que vão ficar ali, porque a terra lá é deles mesmo, eles não querem sair de lá. Já é a quarta vez que eles retornam para aquela terra. O Kaiowá é assim, quando decide uma coisa, ninguém segura. Nós chegamos e fomos ver os barracos deles, o pessoal foi dançar com eles. Eles já fizeram um yvyra'i (altar) lá.” (Kuarahy).
Decisão
Infelizmente vemos mais sangue sendo derramado neste chão da nação Guarani Kaiowá. É um absurdo vermos tanto impunidade estimulando novas matanças dos nativos da terra, sem que sua terra lhes seja garantida. Porém nada os demove os Kaiowá Guarani de terem de volta seus pedaços de chão, para viverem em paz. “Ninguém vai fazer por nós, somos nós mesmos que temos que fazer. Como nós vemos lá, o Guaiviry, o pessoal está resistindo, estão dizendo que vão permanecer lá, apesar do perigo, da dificuldade, da falta de atendimento. Essa é a decisão deles, e a decisão de cada um que está numa retomada hoje: Ypo'i, Kurusu, Amba, Pyelito. Isso é o que de fora as pessoas têm que ver. “ ( Kuarahy).
Após duas horas de conversa e rituais, conversa amena e preocupante assim foi relatada a situação “Por enquanto, lá no Guaiviry, ainda não houve nenhum ataque. Uma pessoa nos contou que quase encontrou com um pistoleiro enquanto estava andando pela mata. Esse é o perigo que eles estão passando. No momento, não estão sendo atacados, mas nunca se sabe...”
Não demorou quarenta horas e o ataque e massacre aconteceu. Quanto sangue ainda precisará ser derramado para que se cumpra a Constituição e legislação internacional garantindo aos povos nativos, no caso os Kaiowá Guarani, suas terras e o sorriso volte aos rostos abatidos pela violência?

Povo Guarani Grande Povo, 18 de novembro de 2011
Egon Dionisio Heck

domingo, 13 de novembro de 2011

Roraima Indígena - 1976 (Parte 1)*

É comum os políticos roraimenses de hoje, à frente o deputado Paulo Quartiero, esbravejarem que Roraima é um território dominado por estrangeiros, com parte de suas estradas bloqueadas e os índios falando inglês ao invés de português, apresentando a Igreja e os índios como principais responsáveis por essa situação e os fazendeiros como as grandes vítimas.
Para contestar esta opinião de políticos e fazendeiros roraimenses vamos publicar no nosso blog
www.urubui.blogspot.com, em série especial, o relatório do levantamento feito em 1976 por Egydio Schwade, gaúcho, então Secretario Executivo do CIMI - Conselho Indigenista Missionário.
O relatório intitulado “Processo Atual de Espoliação do Índio em Roraima” traz um retrato da situação indígena no Estado de Roraima na década de 70, fazendo uma análise profunda do contesto social e político que mantinha os índios oprimidos e roubava suas esperanças de futuro. Por outro lado é também um retrato do momento em que as lideranças indígenas e as comunidades começam a se fortalecer e contar com apoio do movimento popular nas lutas pelos seus direitos que culminou com a demarcação das terras indígenas, entre elas a Reserva Indígena Raposa Serra do Sol.
Neste primeiro momento segue uma poesia que acompanha o relatório, retirada de um livro que circulava na época em Boa Vista, intitulado “Roraima em Revista” e a introdução. Os próximos textos da série serão compostos por capítulos ou sub-capítulos do referido relatório.




Processo Atual de Espoliação do Índio em Roraima
‘A FARINHADA
Como um murucututu
O canto do aititu
nina sonhos de aventura
a mandioca derramada
tem sabores de alvorada
depois de uma noite escura.
É o ajuri da farinhada
onde a vida malograda
volta a arder em esperanças.
Farinha seca e amarela
farinha d`água daquela
de dar lenhas esquentando o forno
enquanto os homens em torno
esquecem da própria míngua.
Sonham com os seus paneiros
arrumando no terreiro
prontos para a transformação
em pilhas gordas de notas
que nunca os fazem janotas
nas festas do barracão.
Sonham! Sabem muito bem
que ao se trabalho ninguém
dará o justo valor;
virão inverno e estios
mas serão sempre vazios
seus verdes mundos de dor
ficarão com as mesmas mágoas
ficarão com mesmo pranto
banharão nas mesmas águas
a dor do seu desencanto;
ficarão com a fome antiga
hospedada na barriga
onde já cresceu o baço;
serão sempre macerados
de olhos tristes injetados
do amarelão, do cansaço.
Estarão em muitos terreiros
encherão muitos paneiros
de farinha e solidão,
arrancarão muita mandioca
farão muita tapioca
para a casa do patrão;
somente estarão proibidos
(esta é a sua maldição)
de ficarem acometidos
do mal da libertação.’
(Roraima em Revista pg. 64)


Introdução
A convite de D. Aldo Mogiano bispo-prelado de Roraima e do Pe. Luciano, superior dos Missionários da Consolata, cheguei no dia 9 de novembro de 1976 a Roraima para um levantamento da situação indígena na Prelazia.
Após uma reunião com os padres e irmãs da Prelazia em Boa Vista, nos dias 10 e 11, dirigi-me à Missão Catrimani, após uma breve visita à Missão de Mucajaí. Da Missão Catrimani segui para Caracaraí, seguindo para a região de Surumu de onde, graças à disponibilidade do P. Luciano, pude visitar até a Missão de Santa Elena na Venezuela, dos padres capuchinhos.
No percurso, mantive contato com 55 aldeias das tribos: Makuxi, Wapixana, Yanomami e Taurepang.
Inicialmente, era minha intenção realizar todo o levantamento em companhia do P. Luciano, do Regional do CIMI de Manaus. Infelizmente esta perspectiva que seria enriquecedora do trabalho, falhou.
Entretanto, graças à grande disponibilidade e abertura que encontrei nas diversas Missões por parte dos Missionários, sobretudo em Surumu, Catrimani e Taiano, seja no que se refere à locomoção, quanto na discussão ampla de todos os problemas, pude ter uma boa vista dos problemas que a Prelazia de Roraima enfrenta hoje.
O que segue não é trabalho meu; É trabalho de grupo. Encorajado por D. Aldo, pelos padres, irmãs e leigos da Prelazia, coloquei no relatório o que vi e o que discutimos.

*Primeira parte do relatório que fiz, em 1976, sobre a situaçao indígena em Roraima.
Veja o restante do relatório: Segunda, Terceira, Quarta.